Lula foi reeleito com 51,79%. Em Portugal teve 59,42%, mas perdeu em Faro
O TSE deu a Lula 64,3 milhões de votos contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro. Entre os brasileiros que votaram em Portugal a vantagem foi quase quatro vezes maior, com uma exceção no Algarve.
Luiz Inácio Lula da Silva vai cumprir um quarto mandato como presidente do Brasil. Com as urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral anunciou a reeleição na noite de domingo: 64.256.232 votos para Lula (51,79% dos válidos) e 59.826.041 para Flávio Bolsonaro (48,21%).
Foi apertado. Cerca de 4,4 milhões de votos num universo de mais de 158 milhões de eleitores, dos quais votaram 128,2 milhões. A abstenção desceu para perto de 19,2%, contra 21,08% na primeira volta.
Portugal votou de outra maneira
Entre os brasileiros recenseados em Portugal, a conversa foi outra. Lula somou 34.319 votos e Flávio Bolsonaro 23.433, o que dá 59,42% contra 40,58% dos votos válidos. A margem no Brasil foi de três pontos e meio. Cá, passou dos dezoito.
Não é uma surpresa completa. Na primeira volta, como contámos antes da segunda volta, Lula já tinha ganho em Portugal com 52,45% contra 38,57%, quando no Brasil ficou atrás. Desta vez ficou à frente nos dois lados do Atlântico, mas a distância portuguesa manteve-se muito maior.
A exceção do Algarve
O retrato não é igual em todo o país. Os três postos consulares contam histórias diferentes:
- Lisboa: 14.948 votos para Lula, 10.548 para Flávio Bolsonaro
- Porto: 10.356 para Lula, 7.559 para Flávio Bolsonaro
- Faro: 1.097 para Lula, 1.305 para Flávio Bolsonaro
Em Faro, contando só os votos nos dois candidatos, Lula ficou nos 45,7%. É uma amostra pequena (pouco mais de 2.400 votos, num consulado com perto de nove mil inscritos), mas é a única parte do mapa português onde o filho de Jair Bolsonaro ganhou.
O que vem a seguir
A noite eleitoral teve ainda um episódio raro: uma decisão judicial prolongou a votação até às 19h (hora de Brasília) em algumas secções, depois de muitas urnas já terem fechado às 17h. O próprio presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, admitiu que prolongar uma eleição é possível mas tem de ser pensado com antecedência. O tribunal recebeu 2.265 processos ao longo da segunda volta.
Para a comunidade brasileira em Portugal, a maior do país entre os estrangeiros, o resultado define quem estará do outro lado da mesa nos próximos quatro anos em temas que lhe dizem diretamente respeito, dos acordos de previdência à mobilidade na CPLP.
Gráfico: Tugadaily, com dados do TSE