EN
Linhas de muito alta tensão e postes da rede de transporte da REN ao fim da tarde, com o céu alaranjado
Política 17 de setembro de 2026

O Estado já tem 13,7% da REN. Agora discute-se quem escreve as regras da próxima compra

A Parpública comunicou à CMVM uma participação qualificada de 91.723.676 ações, concretizada a 7 de setembro depois do visto do Tribunal de Contas. O PS quer que a entrada do Estado no capital de empresas privadas passe a ter critérios definidos por lei.

A operação está fechada. A REN comunicou ao mercado que a Parpública detém uma participação qualificada de 91.723.676 ações ordinárias, representativas de 13,7% do capital, o que devolve o Estado ao capital da empresa doze anos depois de ter saído. A transmissão das ações e o pagamento do preço ocorreram a 7 de setembro.

Quando escrevemos sobre este negócio em agosto, o que estava por resolver era processual: o contrato com a Pontegadea tinha sido assinado a 14 de agosto mas dependia de uma condição, e nós dissemos que a data real seria a do visto do Tribunal de Contas. Foi. O visto saiu a 31 de agosto e o resto seguiu-se em uma semana.

O que ficou por escrever

Resolvido o calendário, sobra a pergunta de fundo, e é essa que chegou esta quinta-feira ao debate político. O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu que a entrada do Estado no capital de empresas privadas passe a obedecer a critérios precisos definidos em lei, argumentando que hoje o processo não é compreensível para quem o vê de fora.

O ponto tem substância independentemente de quem o levanta. O Estado comprou uma posição numa empresa cotada através de uma holding pública, com autorização governamental e fiscalização do Tribunal de Contas, mas sem um quadro legal que diga em que circunstâncias o deve fazer, com que objetivo, até que percentagem e com que teste de preço. O despacho conjunto das Finanças e do Ambiente e Energia aponta uma meta de 20% do capital, o que significa que haverá mais compras e que a pergunta se vai repetir.

O preço é a parte que se discute melhor

Foi também aí que a oposição pegou. Amancio Ortega entrou na REN em julho de 2021 e saiu em agosto de 2026, com as ações a valorizarem cerca de 50% no período. O deputado socialista Marcos Perestrello criticou que o Estado pague hoje bastante mais por ação do que recebeu quando vendeu a sua última posição, em 2014. O PS pediu ao Governo os documentos da operação e a lista de personalidades envolvidas.

Do lado do Governo, o argumento conhecido é o do controlo de uma infraestrutura crítica: quem opera a rede de transporte de eletricidade e de gás natural não é uma empresa como as outras, e a discussão sobre quanto do capital deve estar em mãos públicas atravessou vários executivos e várias cores partidárias. Foi precisamente essa a lógica com que o Estado voltou a entrar no capital em agosto.

As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. A compra pode ser defensável e o processo pode continuar sem regra escrita. O que o parlamento vai discutir não é se o Estado devia ter comprado a REN, mas o que acontece da próxima vez, e por enquanto a resposta a isso não está em lado nenhum.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: REN

Gráfico de barras com a componente fixa do suplemento de risco da PSP e da GNR: 100 euros em 2023, 300 em 2024, 350 em 2025 e 400 em 2026
Política 19 de setembro de 2026

O suplemento de risco passou de 100 para 400 euros. O das fronteiras vale 160

O Governo propôs a 17 de setembro um suplemento de 160 euros este ano, com retroativos a julho, e 230 em 2027, mas só para a UNEF da PSP e a UCCF da GNR. Seis dos sete sindicatos presentes aceitaram negociar. Dois continuam com protestos marcados, por causa do acordo de 2024.

Quando se lê que o Governo propôs mais 160 euros por mês aos polícias, convém ler a linha seguinte. O suplemento apresentado a 17 de setembro na mesa negocial não é para a PSP nem para a GNR inteiras. É para duas unidades: a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, da PSP, e a Unidade de Controlo Costeiro e das Fronteiras, da GNR. São 160 euros mensais em 2026, com retroativos a julho, e 230 euros em 2027. O Ministério da Administração Interna…

Continuar a ler
Gráfico de barras com a descida das taxas de IRS por escalão: 0,3 pontos no primeiro, 0,5 do segundo ao quinto, 0,3 no sexto e zero do sétimo ao nono
Política 18 de setembro de 2026

O Governo aprovou a descida do IRS. Quem a tem de votar é o Parlamento

As taxas descem entre 0,3 e 0,5 pontos até ao sexto escalão, o alívio ronda os 400 milhões de euros e abrange mais de 2,9 milhões de agregados. O efeito prometido para o salário de novembro depende de uma proposta de lei que ainda não foi votada na Assembleia da República.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma proposta de lei que baixa as taxas do IRS do primeiro ao sexto escalão. A redução fica entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais, vale cerca de 400 milhões de euros e, de acordo com o comunicado do Executivo, abrange quase três milhões de agregados familiares. A palavra que decide o resto é proposta. As taxas do IRS não se mudam em Conselho de Ministros. Mudam-se por lei votada na Assembleia da República, e é…

Continuar a ler
Gráfico de barras com os prazos máximos do decreto brasileiro da reciprocidade: Camex 60 dias, Gecex 60, consulta pública 30 e Conselho Estratégico 120
Política 16 de setembro de 2026

A resposta do Brasil às tarifas americanas pode levar 270 dias

O processo da Lei da Reciprocidade abriu a 13 de agosto. Somando os prazos máximos que o próprio decreto fixa para cada fase, Brasília pode ir até meados de maio de 2027 antes de decidir se retalia.

Passou um mês desde que o Brasil abriu o primeiro processo da sua vida ao abrigo da Lei da Reciprocidade, e não há contramedida nenhuma. Não é inércia. É o que o regulamento manda. Fomos ler o decreto e somar. O texto que regulamenta a lei é o Decreto 12.551, de 14 de julho de 2025, e é nos artigos 11.º, 13.º e 15.º que estão os prazos. São quatro fases com relógio próprio, e cada uma é mais lenta do que parece à primeira leitura.

Continuar a ler
Gráfico de barras com três prazos em dias a partir de 15 de setembro: debate do PS 3, debate do Chega 9, IVA do Chega 108
Política 15 de setembro de 2026

Quem chega primeiro ao custo de vida? O PS marcou debate para sexta-feira, seis dias antes do Chega

O pedido de debate de urgência deu entrada na segunda-feira de manhã no gabinete do presidente da Assembleia da República. O Chega já tinha agendamento para 24 de setembro, com projetos de IVA que só produzem efeitos em janeiro de 2027.

A nova sessão legislativa abre esta quarta-feira e o primeiro combate já está marcado. O PS pediu na segunda-feira de manhã o agendamento de um debate de urgência sobre o aumento do custo de vida, a realizar já na sexta-feira, e com isso passou à frente do Chega, que tinha a discussão do tema marcada para 24 de setembro. São seis dias de diferença. Numa legislatura em que a oposição disputa quem parece mais impaciente, seis dias valem alguma coisa.…

Continuar a ler
Gráfico de barras Tugadaily: dos 507 ministros portugueses desde 1976, 43,4% com experiência forte na pasta, 34% com alguma e 22% sem nenhuma relevante
Política 14 de setembro de 2026

Dos 507 ministros desde 1976, 113 chegaram ao Governo sem experiência na pasta

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos percorre meio século de governos. A conclusão que interessa não é a falta de currículo: é que os ministros ficaram mais especializados sem que os partidos largassem o controlo.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgou esta segunda-feira o estudo "Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada (1976-2025)", coordenado por Marcelo Camerlo e António Costa Pinto, que percorre os 507 ministros nomeados em meio século de democracia e compara Portugal com Espanha, Itália e Grécia. O número que saltou logo para os títulos foi este: 113 ministros, 22% do total, assumiram uma pasta sem qualquer experiência…

Continuar a ler
Magdalena Andersson, líder dos sociais-democratas suecos, a falar a jornalistas
Política 14 de setembro de 2026

Os sociais-democratas ganharam as legislativas na Suécia. A contagem final só termina esta semana

O partido de Magdalena Andersson foi o mais votado, com 28,4%, e as projeções da noite eleitoral dão maioria ao bloco de esquerda. Os votos definitivos, esses, só ficam fechados daqui a uns dias.

Os suecos foram às urnas no domingo e o partido que dominou a política sueca durante décadas voltou a ser o mais votado. Os sociais-democratas de Magdalena Andersson ficaram com 28,4% dos votos, à frente de toda a gente, e as projeções da noite eleitoral dão ao conjunto dos partidos de esquerda uma maioria no Riksdag — 183 dos 349 lugares, contra 51,3% dos votos para a esquerda e 46,8% para a direita. Só que "as projeções da noite eleitoral" é mesmo a…

Continuar a ler
André Ventura, de fato escuro e gravata verde, junto a apoiantes que seguram caixas com assinaturas à porta do Tribunal Constitucional, rodeados de câmaras
Política 13 de setembro de 2026

O Chega vai eleger de novo todos os órgãos nacionais depois de o Constitucional travar a última eleição

A direção nacional propôs um congresso ordinário para 20, 21 e 22 de novembro, com cerca de mil delegados a eleger nos distritos. Serve para escolher os órgãos e para responder às questões estatutárias levantadas pelo Tribunal Constitucional.

O Chega vai voltar a eleger tudo. A direção nacional do partido propôs um congresso ordinário para 20, 21 e 22 de novembro, e a ordem de trabalhos tem dois pontos que na prática são um só: escolher de novo os órgãos nacionais e arrumar as questões orgânicas e estatutárias que o Tribunal Constitucional deixou em aberto. O anúncio foi feito por André Ventura, presidente do partido, numa conferência de imprensa na sede nacional, em Lisboa. A indicação segue…

Continuar a ler
Dirigentes da Associação dos Profissionais da Guarda sentados à volta de uma mesa na sede nacional, com o emblema da APG/GNR na parede
Política 12 de setembro de 2026

A GNR vai protestar ao lado da PSP a partir do final de setembro

O acordo de 2024 rendeu mais de 300 euros no suplemento por serviço e risco. A revisão do regime remuneratório, das carreiras e da avaliação continua por fazer, e a associação dos profissionais da Guarda anuncia protestos até meados de outubro.

O Secretariado da Direcção Nacional da Associação dos Profissionais da Guarda reuniu-se na sexta-feira, na sede nacional em Lisboa, e saiu com uma decisão tomada. A GNR vai protestar. As acções começam no final deste mês, prolongam-se até meados de outubro e terminam naquilo a que a associação chama uma grande acção de protesto nacional. A conta que a APG/GNR faz tem dois anos. Em 2024 assinou-se um acordo com a tutela que subiu o suplemento por serviço e…

Continuar a ler
Grupo escultórico de Teixeira Lopes sobre a tribuna da Sala das Sessões do Palácio de São Bento, com o escudo nacional ao centro e as palavras LEX e IVS nos capitéis
Política 11 de setembro de 2026

Seis dias de plenário até ao fim de setembro, e o Orçamento entregue até 12 de outubro

A conferência de líderes fechou o calendário da rentrée: exames nacionais, jogo online, arranque do ano letivo, INEM e arrendamento urbano. O debate quinzenal com o primeiro-ministro fica para 9 de outubro.

A nova sessão legislativa abre na próxima quarta-feira e já tem seis dias de plenário marcados até ao fim de setembro. No fim da fila está a data que interessa a toda a gente: a proposta de Orçamento do Estado para 2027 tem de estar entregue na Assembleia da República até 12 de outubro. A lei de enquadramento orçamental marca o prazo em 10 de outubro. Este ano esse dia calha a um sábado, e por isso escorrega para a segunda-feira seguinte.

Continuar a ler
Posto de abastecimento em Vale da Azinheira, Albufeira; os combustíveis introduzidos no consumo passam a estar abrangidos pelo CELE 2
Política 10 de setembro de 2026

Saiu a lei do CELE 2, o mercado de carbono que vai apanhar o combustível do carro e o gás da caldeira

O Decreto-Lei n.º 182/2026 cria em Portugal o CELE 2, o mercado de carbono para os combustíveis queimados nos edifícios e no transporte rodoviário. Quem compra as licenças são os fornecedores, não os condutores, não há licenças gratuitas e o sistema só fica em pleno funcionamento em 2028.

Saiu esta quinta-feira em Diário da República o diploma que traz a Portugal a segunda versão do mercado europeu de carbono. O Decreto-Lei n.º 182/2026 transpõe em parte a diretiva europeia de 2023 que criou o CELE 2 e aplica-o a um universo que até agora ficava praticamente de fora do sistema: os combustíveis queimados nos edifícios, no transporte rodoviário e num punhado de outros setores.

Continuar a ler
O primeiro-ministro Luís Montenegro num púlpito, diante de um fundo da República Portuguesa e da bandeira nacional
Política 9 de setembro de 2026

O suplemento aos pensionistas pode chegar a 1.611,13 euros e vem com a pensão de dezembro

Montenegro anunciou no debate da moção de censura duas medidas de 400 milhões cada: um suplemento progressivo a mais de dois milhões de pensionistas e uma descida do IRS até ao sexto escalão, sentida já em novembro nas retenções e retroativa a janeiro.

Foi no meio de um debate sobre a queda do Governo que o Governo anunciou como vai gastar 800 milhões de euros. Luís Montenegro abriu esta terça-feira a sua intervenção no debate da moção de censura do Chega com duas medidas fiscais: um suplemento extraordinário para pensionistas e uma nova descida do IRS. O suplemento é progressivo e vai até 1.611,13 euros. O bolo total ronda os 400 milhões e, segundo o comunicado do Governo, chega a mais de dois milhões…

Continuar a ler
Gráfico das comunicações à CITE entre 2020 e 2024: 8.299 não renovações, 544 cessações no período experimental e 534 despedimentos
Política 8 de setembro de 2026

Em 2025, 1.777 grávidas e pais em licença souberam que o contrato não seria renovado

A CITE recebeu 1.777 comunicações de não renovação de contratos a termo envolvendo grávidas, puérperas, lactantes e trabalhadores em licença parental. Em 2024 tinham sido 1.894.

A Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego recebeu, ao longo de 2025, 1.777 comunicações de empresas que não iriam renovar contratos a termo de grávidas, puérperas, lactantes ou trabalhadores em licença parental. O número foi divulgado esta terça-feira pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN, a propósito do Dia Nacional da Natalidade. Em 2024 tinham sido 1.894 comunicações. A descida existe, mas é pequena. A CITE faz…

Continuar a ler
Fachada da antiga Escola Industrial e Comercial de Santarém, hoje Escola Secundária Dr. Ginestal Machado, num dia de sol
Política 8 de setembro de 2026

O suplemento de 750 euros passou de dez zonas para oito. Todo o Alentejo ficou de fora

Abrimos os dois despachos e comparámos os anexos. Quatro quadros de zona pedagógica perderam o incentivo e dois entraram — e os quatro que saíram são todos do Alentejo e da Lezíria do Tejo.

O suplemento de 750 euros por mês para professores que adiem a aposentação vale este ano letivo em oito quadros de zona pedagógica. No ano passado valia em dez. A subtração foi noticiada assim, como uma subtração — menos dois — e é aí que a notícia costuma acabar. Só que não foram dois a sair. Foram quatro a sair e dois a entrar. E os quatro que saíram formam um bloco geográfico: Lezíria do Tejo, Alentejo Litoral, Baixo Alentejo. O Alentejo deixou de ter…

Continuar a ler
Vista aérea do edifício do Landtag da Saxónia-Anhalt, no Domplatz, em Magdeburgo
Política 6 de setembro de 2026

A AfD venceu na Saxónia-Anhalt com 43,8% e ficou a três lugares da maioria

A afluência final foi de 77,8%. A AfD elegeu 39 dos 83 deputados do Landtag, três abaixo do que precisa para governar sozinha. O CDU teve 17,2% e a Die Linke 8,6%. O resultado oficial só é proclamado a 22 de setembro.

A AfD teve o melhor resultado da sua história num estado alemão e mesmo assim não chegou lá. O responsável eleitoral da Saxónia-Anhalt deu ao partido 43,8% dos votos no domingo, o que se traduz em 39 dos 83 lugares do Landtag. A maioria absoluta são 42. Faltaram três. É um número pequeno o suficiente para caber numa frase e grande o suficiente para decidir quem governa o estado nos próximos cinco anos.

Continuar a ler