Os sociais-democratas ganharam as legislativas na Suécia. A contagem final só termina esta semana
O partido de Magdalena Andersson foi o mais votado, com 28,4%, e as projeções da noite eleitoral dão maioria ao bloco de esquerda. Os votos definitivos, esses, só ficam fechados daqui a uns dias.
Os suecos foram às urnas no domingo e o partido que dominou a política sueca durante décadas voltou a ser o mais votado. Os sociais-democratas de Magdalena Andersson ficaram com 28,4% dos votos, à frente de toda a gente, e as projeções da noite eleitoral dão ao conjunto dos partidos de esquerda uma maioria no Riksdag — 183 dos 349 lugares, contra 51,3% dos votos para a esquerda e 46,8% para a direita.
Só que “as projeções da noite eleitoral” é mesmo a expressão certa. O resultado preliminar publicado pela autoridade eleitoral sueca saiu por volta das 21h00 de domingo, com base na contagem feita pelos municípios. O apuramento a sério só arranca esta segunda-feira, cabe aos governos civis de cada um dos 21 condados e leva à volta de uma semana a fechar. Até lá, os números que toda a gente está a citar podem mexer-se nas casas decimais.
O que muda em Estocolmo
A Suécia é governada desde 2022 por uma coligação de direita que dependia do apoio parlamentar dos Democratas Suecos, o partido de extrema-direita que subiu eleição após eleição durante uma década e meia. Este domingo travou. O recuo foi suficientemente grande para se discutir se perderam o estatuto de segunda maior força política do país, que detinham desde 2010 — uma conta que, também essa, só fecha com os votos finais.
Andersson já disse que está disponível para negociar à esquerda ou ao centro. O que não está disponível, disse, é para deixar a atual coligação continuar. Traduzido: há maioria aritmética, falta o acordo que a transforma em governo, e esse pode levar semanas.
Porque é que isto interessa a quem está em Portugal
Porque é o terceiro país europeu em poucos meses onde uma eleição se decide na margem e a montagem do governo demora mais do que a votação. Em setembro, a AfD venceu na Saxónia-Anhalt com 43,8% e ficou a três lugares da maioria, o que deixou a formação de governo dependente de contas feitas ao lugar. A Suécia chega ao mesmo sítio pelo lado oposto do espectro.
Para quem vive ou trabalha na Suécia, nada muda no imediato. Um governo em gestão continua a governar até haver outro, e a Suécia tem prática nisso: em 2018 levou mais de quatro meses a formar executivo depois de uma eleição igualmente renhida.
Imagem: Frankie Fouganthin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)