O Reino Unido vai construir o seu primeiro míssil balístico em meio século — e quer entregá-lo à Ucrânia em 2027
Londres assinou contratos para desenvolver o primeiro míssil balístico britânico em mais de 50 anos, com especificações simplificadas para chegar à Ucrânia já em 2027, dentro de uma aposta europeia de longo alcance.
Há meio século que o Reino Unido não construía um míssil balístico. Isso vai mudar: Londres assinou contratos com várias empresas para desenvolver uma nova arma de longo alcance — e o primeiro cliente na fila não é o exército britânico, é a Ucrânia, que a deverá receber em 2027.
A pressa explica o desenho. Segundo avançou a Bloomberg, o Ministério da Defesa britânico simplificou deliberadamente as especificações do míssil para acelerar o desenvolvimento e conseguir pô-lo em mãos ucranianas no próximo ano — uma lógica de guerra, não de catálogo.
Porque é que o Reino Unido quer mísseis balísticos agora?
Por duas razões que se somam: apoiar a Ucrânia com armamento que a Europa hoje não produz em quantidade, e reduzir a dependência europeia dos Estados Unidos neste tipo de capacidade. A peça encaixa num puzzle maior: o programa Stratus, ao qual Londres afetou 1,4 mil milhões de libras, e uma iniciativa europeia de ataque de precisão de longo alcance lançada na cimeira da NATO, em que cerca de uma dúzia de países deverá investir mais de 50 mil milhões de dólares ao longo de dez anos. Em paralelo, o Reino Unido vai comprar mísseis PrSM ao programa americano, num pacote de 190 milhões de libras descrito no comunicado oficial do Ministério da Defesa.
O que muda para a guerra na Ucrânia?
No curto prazo, pouco — 2027 ainda vem longe, e Kiev precisa de defesas já. Mas a mensagem política é imediata: a Europa está a montar uma indústria própria de longo alcance, e a Ucrânia é o centro dessa arquitetura, num momento em que a UE acaba de prolongar a proteção aos refugiados ucranianos e em que a própria liderança ucraniana se reorganizou para uma guerra longa.
Meio século depois, Londres volta ao clube balístico — e fá-lo a pensar no relógio de Kiev, não no seu.
Imagem: Sgt. Perla Alfaro / Wikimedia Commons (domínio público)