A Euribor a seis meses está no valor mais alto desde 2024. É a taxa que indexa quase quatro em cada dez créditos
A taxa a seis meses fixou-se em 2,737% esta quinta-feira, o máximo desde 22 de novembro de 2024. Os três prazos subiram no mesmo dia, e é o de seis meses que pesa mais no crédito português.
A Euribor a seis meses fixou-se esta quinta-feira em 2,737%. É o valor mais alto desde 22 de novembro de 2024, o que dá quase 21 meses sem que esta taxa estivesse tão cara, e a subida chegou depois de os três prazos terem todos avançado no mesmo dia: a doze meses somou 0,013 pontos, para 2,990%, e a três meses somou 0,015, para 2,507%.
Nenhum destes movimentos é dramático isoladamente. O que muda o cálculo é onde a subida bate — e bate no prazo que mais famílias portuguesas têm no contrato. Os valores diários publicados pelo European Money Markets Institute são a referência oficial para estas taxas.
Porque é que o prazo de seis meses conta mais
Segundo dados do Banco de Portugal referentes a junho, a Euribor a seis meses indexa 39,9% do stock de empréstimos à habitação própria e permanente com taxa variável. Quase quatro em cada dez contratos. Foi em janeiro de 2024 que este prazo passou a ser o mais usado em Portugal, destronando a taxa a doze meses, e desde então é ele que decide a prestação da maioria das famílias com juro indexado.
Quanto é que isto vale, em euros
Uma advertência antes das contas. A revisão de um contrato não usa o fixing de um dia: usa a média do mês. O que se segue é uma fotografia do mercado esta quinta-feira, não o número que vai aparecer no extrato.
Fizemos o cálculo para um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%, aplicando os fixings de hoje. Com a Euribor a três meses, a prestação daria 674 euros. Com a de seis, 694. Com a de doze, 715. Entre a maturidade mais curta e a mais longa vão 41 euros por mês, quase 500 euros ao fim de um ano, no mesmo empréstimo e com o mesmo spread.
O que fazer com este número
Se tem revisão marcada para as próximas semanas, o dado que interessa não é a manchete: é a maturidade que está no seu contrato. Vem no extrato, muita gente não sabe qual é, e determina tudo o resto. Já tínhamos feito as contas para a revisão de agosto, e a mecânica é a mesma.
Do lado do rendimento, o quadro não compensa a subida: o salário médio do segundo trimestre ficou nos 1.835 euros brutos, e a evolução mensal dos preços das casas continua no nosso acompanhamento. As taxas diretoras que ancoram toda esta cadeia estão no site do Banco Central Europeu.
Infografia: Tugadaily · fixings Euribor de 20/08/2026, cálculo próprio