Quase metade da internet fixa em Portugal já anda a 1 Gbps. Pela primeira vez, é o escalão maior
No fecho do segundo trimestre de 2026 havia 4,9 milhões de acessos de banda larga fixa. Os de 1 Gbps ou mais passaram os de 100 Mbps a 1 Gbps, uma troca de lugares inédita.
Aconteceu uma coisa discreta nas contas trimestrais da ANACOM. No fim de junho, os acessos de internet fixa com 1 Gbps ou mais representavam 47,4% do total, e os que ficam entre os 100 Mbps e 1 Gbps, 46,9%. É a primeira vez que o escalão de topo passa à frente. Durante anos foi a fatia pequena; agora é a maior.
Os números do trimestre
Portugal fechou o segundo trimestre com 4,9 milhões de acessos de banda larga fixa, mais 102 mil do que no mesmo período do ano anterior, um crescimento de 2,2%. O total cresce devagar, o que é normal num país onde a cobertura já está quase toda feita. O que se mexe é a composição.
Os acessos de 1 Gbps ou mais subiram 66,6% em doze meses. Os restantes 5,7% das ligações continuam abaixo dos 100 Mbps, e essa é a fatia que encolhe todos os trimestres, à medida que o cobre sai e a fibra entra.
Porque é que isto acontece agora
Não é procura. Quase ninguém acorda a precisar de um gigabit em casa — os serviços que consumimos, streaming em 4K incluído, ficam-se por uma fração disso. O que mudou foi a oferta: os operadores deixaram de vender escalões intermédios como produto principal e passaram a colocar o gigabit nos pacotes de gama média, muitas vezes pelo preço a que antes se vendiam 500 Mbps.
Quem renovou contrato nos últimos dois anos foi provavelmente promovido de escalão sem ter pedido nada. É assim que uma estatística nacional muda sem que ninguém dê por isso.
O que fazer com esta informação
Duas coisas práticas. A primeira é verificar em que escalão está — a fatura diz, e há uma probabilidade razoável de estar a pagar por uma velocidade que já não é a melhor oferta da sua operadora. A segunda é lembrar que velocidade contratada e velocidade real são coisas diferentes, sobretudo em Wi-Fi, onde o router costuma ser o travão.
E se a conclusão for mudar de operadora, convém saber que as regras estão a mudar a seu favor: a ANACOM tem em cima da mesa um regulamento que responsabiliza a nova fornecedora pela mudança e prevê compensações por interrupções de serviço. As estatísticas completas do trimestre estão no portal de estatísticas da ANACOM.
Por Oliver Grant
Gráfico: Tugadaily · dados ANACOM