Nasdaq tem o pior dia desde abril de 2025, com a Nvidia a afundar 9,3%
O índice tecnológico de Nova Iorque fechou quinta-feira a cair 5,52%, a maior queda num dia desde o choque das tarifas de abril de 2025. Os fabricantes de chips perderam mais de 12%, com Wall Street a reavaliar o ritmo do investimento em IA depois das intercalares e de notícias sobre a China a travar as importações do H200.
A Nasdaq, o índice que reúne as grandes tecnológicas de Wall Street, fechou a quinta-feira, 5 de novembro, a perder 5,52%. Foram 1.421 pontos a menos, até aos 24.315, e o pior dia do índice desde abril de 2025, quando o anúncio das tarifas norte-americanas abanou todos os mercados.
A Nvidia, que se tornou o termómetro da corrida à inteligência artificial, caiu 9,26% e terminou nos 181,60 dólares. O índice de semicondutores de Filadélfia perdeu mais de 12%. Os números de fecho estão no relato da sessão da Fox Business, que também regista o S&P 500 a recuar 4,36% e o Dow Jones a perder 1.833 pontos (3,44%).
Quem caiu mais
Não foram só os chips. A Tesla desvalorizou 10,77%. As empresas que alugam capacidade de computação para IA, como a IREN, a Applied Digital e a Nebius, perderam mais de 14% cada uma. Meta, Amazon e Alphabet ficaram mais perto dos 2% a 4% de queda, o que diz muito sobre onde estava o medo: no investimento em centros de dados, não no negócio de publicidade ou de comércio online.
Com esta sessão, a Nasdaq entrou em território de correção, a expressão que os analistas usam quando um índice fica mais de 10% abaixo do último máximo.
Porquê agora
Os investidores apontaram duas explicações. A primeira é política. Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado nas intercalares de terça-feira, e o preço da eletricidade fez dos centros de dados um tema de campanha, com vozes democratas a pedirem regras mais apertadas ou pausas em novos projetos. O mercado leu isso como um sinal de que a construção da infraestrutura de IA pode ficar mais lenta e mais cara.
A segunda vem da China. Segundo a Reuters, citada pela Fortune, há cerca de 600 mil chips H200 da Nvidia parados em Hong Kong à espera de entrar no continente, e Pequim só tem autorizado lotes pequenos, na ordem dos 10 mil, para proteger a indústria chinesa de semicondutores. Nem a Nvidia nem o governo chinês confirmaram estes números.
Há quem veja exagero. Um gestor de fundos norte-americano descreveu a sessão como uma possível fase de capitulação para as empresas que vivem dos centros de dados, ou seja, o momento em que quem estava nervoso vende tudo de uma vez. Para quem tem fundos de ações ou PPR com exposição a tecnologia, a semana já deixou marca, e as próximas sessões dirão se foi um tropeção ou uma mudança de humor. Não é a primeira vez este outono: em outubro, a Intel perdeu quase 29% num dia apesar de bater as previsões.
Por Oliver Grant
Imagem: Daniel J. Prostak / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)