A AMD meteu 256 núcleos num só processador e chamou-lhe EPYC Venice
O novo EPYC Venice da AMD chega com até 256 núcleos, arquitetura Zen 6 e fabrico a 2 nanómetros. O que isto significa para os data centers e para a corrida com a Intel e a Nvidia.
Duzentos e cinquenta e seis núcleos. Num processador. É esse o número que a AMD levou para o palco do Advancing AI, em São Francisco, e é o tipo de número que só faz sentido quando se percebe para onde é que ele vai: para dentro de servidores que passam o dia a treinar e a servir modelos de inteligência artificial.
O que é o EPYC Venice?
É a nova geração de processadores da AMD para servidores, construída sobre a arquitetura Zen 6 e fabricada no processo de 2 nanómetros da TSMC. O topo da gama chega aos 256 núcleos e 512 threads, empilhando até oito blocos de 32 núcleos cada. É o primeiro chip de alto desempenho da empresa a entrar em produção em volume a 2 nanómetros — e, no mundo dos semicondutores, ser o primeiro a saltar para um processo novo costuma valer dois ou três anos de vantagem.
Porque é que 256 núcleos importam?
Porque num data center o que conta não é a velocidade de um núcleo, é quanto trabalho cabe em cada bastidor. Mais núcleos por processador significa menos máquinas, menos espaço alugado, menos refrigeração e menos eletricidade para a mesma carga — e a eletricidade é hoje a maior fatura da indústria. Não é coincidência que a Google esteja a desenhar chips à medida do Gemini pela mesma razão: gastar menos energia por resposta.
A AMD aproveitou ainda para desenhar o caminho até 2028. Depois do Zen 6 vem o Zen 7, com o nome de código Florence, e há já um Zen 8 em desenvolvimento. No mesmo evento a empresa mostrou o Helios, um bastidor completo de IA que junta estes processadores às placas Instinct da casa — a resposta mais direta que a AMD deu até hoje aos sistemas fechados da Nvidia.
E isto chega a Portugal?
Chega da forma mais discreta possível: dentro dos data centers. Portugal anda a preparar novas zonas industriais para receber este tipo de infraestrutura, e o que lá vai entrar são exatamente estas máquinas. As especificações completas ficam no site da AMD, para quem gosta de ler fichas técnicas ao pequeno-almoço.
Para todos os outros, fica a versão curta: a corrida aos chips deixou de ser sobre telemóveis há muito tempo. É sobre quem consegue pôr mais computação dentro do mesmo armazém.
Por Oliver Grant
Imagem: Gene Wang / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)