Os democratas ganharam o Senado e a Câmara. O Texas elegeu o primeiro senador democrata desde 1988
Nas intercalares de 3 de novembro, os democratas tiraram sete lugares aos republicanos no Senado (Texas, Kansas, Maine, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Iowa e Ohio) e recuperaram a Câmara dos Representantes. Susan Collins reconheceu a derrota. Trump diz que vai trabalhar com a oposição, mas avisa que tem o veto.
Os democratas vão controlar as duas câmaras do Congresso norte-americano a partir de janeiro. As projeções das televisões norte-americanas deram-lhes a Câmara dos Representantes por volta das 22h40 de terça-feira em Washington (3h40 em Lisboa) e o Senado cerca de uma hora depois, numa noite em que o partido do Presidente perdeu lugares em estados onde não perdia há décadas.
Na véspera, os democratas precisavam de ganhar mais quatro lugares no Senado. Ganharam sete.
Os sete lugares que mudaram de mãos
O mais simbólico é o do Texas. James Talarico, deputado estadual de 37 anos e antigo professor, derrotou o procurador-geral Ken Paxton e torna-se o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1988. Paxton tinha afastado o senador John Cornyn nas primárias, com o apoio de Trump. Foi a corrida mais cara do ciclo.
No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton tirou o lugar a Roger Marshall, coisa que um democrata não conseguia no estado há quase um século. No Maine caiu Susan Collins, cinco mandatos e presidente da comissão de Orçamento, derrotada por Troy Jackson, um lenhador que foi presidente do senado estadual. Collins ligou-lhe a reconhecer a derrota.
A lista completa-se com Annie Andrews na Carolina do Sul (contra Darline Graham, irmã do falecido Lindsey Graham), Roy Cooper na Carolina do Norte, Josh Turek no Iowa e Sherrod Brown no Ohio, que volta ao Senado dois anos depois de o perder. Os democratas seguraram ainda a Geórgia e o New Hampshire, e o Michigan pende para Abdul El-Sayed, sem projeção final à hora a que escrevemos.
O que muda em Washington
Com o Senado, os democratas passam a decidir que nomeações do Presidente avançam, incluindo juízes e embaixadores. Com a Câmara, ganham as comissões de inquérito. O democrata mais votado da comissão de Supervisão resumiu a ideia num comunicado de duas palavras: “Lawyer up” (arranjem advogado).
Trump disse estar “um pouco surpreendido” e culpou os candidatos republicanos. Prometeu trabalhar com a oposição, talvez na imigração, mas lembrou que o veto é “um dos poderes mais fortes” de um presidente. As sondagens à boca das urnas apontaram uma aprovação de 38%, a mais baixa registada para um presidente numa intercalar.
Para a Europa, a leitura é prática. Os tratados, as nomeações de embaixadores e os pacotes de ajuda externa passam todos pelo Senado, que muda de liderança em janeiro. A composição atual da câmara alta continua, até lá, na página oficial do Senado sobre a divisão partidária. Os resultados finais só ficam certificados estado a estado nas próximas semanas.
Ilustração: Tugadaily