A Infraestruturas de Portugal vai gastar 700 milhões no Alentejo até 2028
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Infraestruturas na abertura da variante nascente de Évora. O dinheiro reparte-se por estradas e ferrovia nos distritos de Beja, Évora e Portalegre.
O Alentejo é a região portuguesa onde se conduz mais quilómetros para fazer menos coisas, e onde o comboio ainda é, em várias linhas, uma automotora sozinha em via única. A Infraestruturas de Portugal anunciou esta semana que vai investir 700 milhões de euros na região até ao final de 2028, repartidos entre rodovia e ferrovia nos distritos de Beja, Évora e Portalegre.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, e não veio num comunicado. Veio numa cerimónia, à beira de uma estrada nova.
O que já foi entregue esta semana
A cerimónia era a abertura da variante nascente de Évora, no IP2, que custou 54,9 milhões de euros e é o maior investimento executado pela IP com dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência. São 12,8 quilómetros com perfil de autoestrada a ligar o nó nascente de Évora da A6 à Estrada Nacional 18, com três nós e oito passagens superiores, duas delas sobre linhas de caminho de ferro. Contámos a abertura em detalhe esta manhã.
A câmara de Évora estima que a variante possa tirar entre 30% e 40% do trânsito automóvel de dentro da cidade, com o efeito mais visível nos pesados que hoje atravessam a malha urbana para contornar o centro histórico.
O que ainda não sabemos
Os 700 milhões são um envelope, não uma lista. Não foi divulgada a repartição entre estrada e comboio, nem o calendário obra a obra, nem quanto virá de fundos europeus depois de o PRR ter fechado a 31 de agosto — um encerramento com execução que ficou longe do total anunciado.
Para uma região que perde população há décadas, a distinção importa. Uma variante rodoviária resolve congestionamento, e Évora vai senti-lo já. Modernizar a Linha do Alentejo ou eletrificar troços muda o tempo que uma pessoa demora a chegar a Lisboa de manhã e a voltar à noite, e é isso que decide se alguém fica a viver em Beja. Até 2028 há tempo para saber qual das duas coisas os 700 milhões vão comprar.
Por Beatriz Mota
Imagem: Nuno Morão / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)