O mercado de fusões e aquisições encolheu 28% até julho (e o imobiliário é quem continua a comprar)
Foram 289 operações e 4,5 mil milhões de euros nos primeiros sete meses de 2026, segundo a TTR Data. O imobiliário lidera com 44 negócios e a maior transação de julho foi a compra da Luz Saúde pela Macquarie.
Compram-se menos empresas em Portugal este ano. Entre janeiro e julho registaram-se 289 operações de fusões e aquisições, num total de 4,5 mil milhões de euros, o que representa menos 28% de negócios do que no mesmo período de 2025 e menos 20% de capital movimentado. Os números são da TTR Data, e vale a pena guardar uma ressalva: só 31% das operações revelaram o valor, por isso o montante real é maior do que o que se consegue contar.
A queda no número de negócios é a parte mais dura de explicar com juros ou com ciclos. Fecharam-se menos transações, e não apenas transações mais pequenas.
Que setor está a comprar mais em Portugal em 2026?
O imobiliário. Com 44 operações, é o setor mais ativo do ano, o que diz alguma coisa sobre onde o dinheiro institucional continua a achar que vale a pena entrar — e casa com o recorde de investimento estrangeiro que Portugal registou este ano. Nas aquisições estrangeiras, o segmento de tecnologia e internet caiu 23% face a 2025.
No plano cross-border, Espanha foi quem mais investiu em Portugal, com 19 operações. E as empresas portuguesas escolheram sobretudo o mesmo destino, com 32 negócios em Espanha e oito no Brasil.
Os três blocos que sustentam o ano
O gráfico acima separa o que sobrou. As aquisições de ativos lideram, com 68 operações e 2,3 mil milhões de euros, ainda assim menos 5% de capital do que no ano passado. O venture capital contou 53 rondas e 523 milhões de euros, e é o único segmento a crescer, com mais 5% de capital investido. O private equity ficou-se pelas 44 operações, uma queda de 27%.
Só em julho houve 42 negócios e 1,4 mil milhões de euros. A operação do mês foi a conclusão da compra da Luz Saúde pelo grupo australiano Macquarie, por 310 milhões de euros — o tipo de transação de saúde que continua a atrair capital estrangeiro mesmo quando o resto do mercado abranda.
Por Beatriz Mota
Imagem: Gráfico Tugadaily · dados TTR Data