Novobanco e Montepio esgotaram a garantia pública para jovens, e o Estado abriu mais 100 milhões
Despacho publicado a 2 de setembro dá mais 40 milhões ao Novobanco e 60 milhões ao Montepio. O tecto global da garantia pública sobe para 2.400 milhões de euros, o dobro do valor com que arrancou em 2024.
O Novobanco pediu mais 40 milhões. O Montepio pediu mais 60. O Governo somou os dois e publicou o resultado no Diário da República de quarta-feira: mais 100 milhões de euros de garantia pública para o crédito à habitação de jovens, em resposta às previsões de operações que os dois bancos ainda contam fazer até ao fim do ano.
Não é uma medida nova nem uma linha de crédito extra. É o mesmo mecanismo de 2024 a ganhar espaço porque a carteira que lhe estava reservada se esgotou.
Como funciona a garantia, em duas frases
O Estado entra como fiador e garante até 15% do valor da transação num crédito para habitação própria e permanente, a quem tenha até 35 anos, inclusive, em contratos celebrados até ao fim de 2026. O comprador não recebe dinheiro do Estado: recebe a possibilidade de o banco financiar acima do habitual, porque parte do risco deixa de ser do banco. Os requisitos completos estão explicados na página do Governo sobre a garantia pública.
A curva diz mais do que o despacho
O tecto começou nos 1.200 milhões de euros em novembro de 2024. Subiu 350 milhões em setembro de 2025, mais 750 milhões em abril de 2026, e agora mais 100. Total: 2.400 milhões, o dobro do valor inicial em menos de dois anos.
O reforço de abril foi sete vezes e meia maior do que este. Aqui está a diferença que interessa: em abril alargava-se o programa, agora está apenas a repor-se a dotação de duas instituições que a gastaram mais depressa do que esperavam. É um sinal de procura, não de política nova.
Para quem está a fazer contas, a garantia entra numa equação que mudou este verão: as regras do crédito à habitação apertaram em agosto, e a taxa de esforço voltou a ser o travão real de muitos processos. A garantia resolve a entrada. Não resolve o rendimento.
O prazo que ninguém está a olhar
A garantia aplica-se a contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. Quem estiver a meio de um processo tem quatro meses para o fechar — e, se o banco escolhido for um dos que acabou de pedir reforço, vale a pena confirmar quanto lhe sobra da carteira antes de contar com ela.
Por Beatriz Mota
Imagem: gráfico Tugadaily, dados do Diário da República