Emprego na banca em máximos desde a queda do BES: mais 782 postos num ano
O emprego na banca portuguesa atingiu o nível mais alto desde a queda do BES, com 782 postos criados num ano — enquanto os balcões continuam a fechar.
Depois de uma década a encolher, a banca portuguesa voltou a contratar a sério: no último ano, o setor criou 782 postos de trabalho em termos líquidos, elevando o emprego para o nível mais alto desde a queda do BES, em 2014. É uma inversão de ciclo notável num setor que passou anos sinónimo de reestruturações e rescisões.
Porque está a banca a contratar mais?
Não é para os balcões — é para a tecnologia. Os bancos estão a reforçar equipas nas áreas digitais, de dados e de cibersegurança, e a responder ao aumento do próprio negócio bancário, que os juros altos dos últimos anos engordaram. A prova está no contraste: enquanto o emprego subia, o número de agências continuou a cair — fecharam 126 no último ano, para 3.339 no final de 2025, segundo os dados do Banco de Portugal. Menos portas abertas, mais gente atrás dos ecrãs.
Como compara Portugal com a Europa?
Surpreendentemente bem. Em 2025, Portugal foi o quinto país da zona euro onde o emprego bancário mais cresceu — só Alemanha, Espanha, Polónia e Finlândia criaram mais postos. E isto num ano em que o setor perdeu mais de 13 mil empregos no conjunto da zona euro, sobretudo por culpa da banca francesa, que sozinha eliminou perto de 20 mil posições.
Para o mercado de trabalho, é mais um sinal do momento invulgar que a economia atravessa — desemprego abaixo da média europeia e crescimento acima do esperado no arranque do ano. Quem procura emprego qualificado em tecnologia tem agora um recrutador improvável de peso: o banco da esquina — ou o que resta dele. Veja também os setores que melhor pagam em Portugal.
Por Beatriz Mota
Imagem: Jules Verne Times Two / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)