Exportações portuguesas crescem 5,1% em maio, mas défice comercial agrava-se no acumulado do ano
As exportações de bens cresceram 5,1% em maio, segundo o INE, e as importações recuaram 1,6%. No acumulado até maio, porém, o défice comercial agravou-se em 1.732 milhões de euros, para 14.383 milhões.
As exportações portuguesas de bens cresceram 5,1% em maio face ao mesmo mês de 2025 — o melhor registo em quase dois anos — enquanto as importações recuaram 1,6%, segundo os dados do comércio internacional divulgados pelo INE. Um mês para emoldurar, portanto. O problema é o filme completo do ano, que conta uma história menos animadora.
O que dizem os números do INE?
No acumulado de janeiro a maio, as exportações caíram 0,2% e as importações subiram 3,5% em termos homólogos. Resultado: o défice da balança comercial de bens agravou-se em 1.732 milhões de euros, para 14.383 milhões. Excluindo os produtos energéticos e material de transporte especial, o retrato de maio fica mais equilibrado — exportações a subir 4,2% e importações 5,1% —, sinal de que a procura interna continua a puxar pelas compras ao exterior. Os quadros completos estão no portal do INE.
Porque cresce o défice comercial se maio foi bom?
Porque um mês forte não apaga quatro meses fracos. O arranque do ano foi penalizado pela travagem do comércio mundial e pela base de comparação exigente de 2025, e as importações — energia, bens de consumo, equipamento — nunca deixaram de crescer. Maio dá esperança de que a maré esteja a virar; para já, o buraco na balança continua a alargar.
A boa notícia é que o tecido empresarial parece ter músculo para aguentar a travessia: os dados do Banco de Portugal mostram que as empresas portuguesas arrancaram 2026 mais rentáveis e com menos pressão financeira. Se as encomendas externas confirmarem o sinal de maio, o segundo semestre pode contar outra história.
Por Beatriz Mota
Imagem: JotaCartas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)