Ainda não há ETIAS. Quem lhe cobrar por um está a enganá-lo
O site oficial da UE continua a dizer que o ETIAS não está em funcionamento e não recebe pedidos, e promete anunciar a data com vários meses de antecedência. Entretanto multiplicam-se sites que cobram pela autorização. O que convém saber antes de pagar seja o que for.
Se alguém lhe pediu dinheiro por um ETIAS, a autorização eletrónica que a União Europeia quer exigir a quem viaja sem visto, não foi a União Europeia. A 1 de novembro de 2026, o site oficial do ETIAS continua a dizer, preto no branco, que o sistema não está em funcionamento e que nenhum pedido está a ser recolhido.
A mesma página acrescenta uma promessa que diz muito sobre o calendário: a UE vai anunciar a data de arranque “vários meses” antes do lançamento. Com dois meses de 2026 por correr e nenhuma data anunciada, a conta faz-se sozinha. O ETIAS não vai começar este ano, como já se adivinhava em julho.
Porque é que isto é agora um problema
Porque a falta de data não impediu ninguém de vender o produto. A Frontex, a agência europeia de fronteiras, já tinha identificado mais de uma centena de sites não oficiais sobre o ETIAS, alguns a afirmar que já aceitavam pedidos. Os riscos que aponta vão de taxas exorbitantes a roubo de identidade, porque um formulário destes pede exatamente os dados que um burlão quer: nome, morada, passaporte, cartão.
Em meados de outubro, a associação britânica de agências de viagens (ABTA) falava em mais de 150 sites deste tipo. Muitos imitam o aspeto do site europeu e usam domínios com “etias” no nome.
O que convém saber antes de pagar
- O único endereço oficial é o da Comissão Europeia, europa.eu/etias. Qualquer outro é, no máximo, um intermediário.
- Quando arrancar, o ETIAS custa 20 euros. Quem tem menos de 18 ou mais de 70 anos fica isento da taxa.
- Hoje não há nada para pedir. Um site que diga que “processa” o seu ETIAS está a cobrar por um documento que ainda não existe.
A quem vai ser exigido (e a quem não)
O ETIAS destina-se a cidadãos de países isentos de visto que visitam 30 países europeus por estadias curtas, até 90 dias. Para Portugal, isso quer dizer turistas e familiares vindos do Brasil, dos Estados Unidos, do Reino Unido ou do Canadá, por exemplo.
Não se aplica a cidadãos da UE. E quem já vive em Portugal com título de residência válido também fica de fora. A mesma lógica vale para o sistema de entradas e saídas, a outra metade desta mudança nas fronteiras, como explicámos no guia do EES.
Se já pagou a um destes sites, guarde os comprovativos, contacte o banco para tentar reverter o pagamento e considere apresentar queixa. Se tem uma viagem marcada para o início de 2027, por agora não há nada a fazer além de esperar pelo anúncio oficial.
Por Juliana Castilho
Ilustração: Tugadaily