Vai estudar para Londres no próximo ano? O Reino Unido passa a pedir 14.130 libras na conta
A partir de 30 de novembro, quem pede visto de estudante para um curso em Londres tem de provar 1.570 libras por mês durante nove meses (mais 369 libras do que hoje). Fora de Londres são 1.203 por mês. As mesmas regras já preparam o regresso do Erasmus+ ao país em 2027, e aí o visto de estudante pode deixar de ser preciso.
Quem está a planear um mestrado ou uma licenciatura em Londres para o próximo ano letivo vai precisar de mais dinheiro parado no banco. A partir de 30 de novembro, o visto de estudante britânico exige prova de 1.570 libras por mês para viver em Londres, contra as 1.529 de hoje. Fora da capital, o valor passa de 1.171 para 1.203 libras.
Parece pouco. Não é, porque a conta faz-se a nove meses.
As contas que o consulado vai fazer
O Reino Unido pede meios de subsistência até um máximo de nove meses de curso. Em Londres, isso dá 14.130 libras (eram 13.761), ou seja, mais 369 libras. Fora de Londres, o total sobe de 10.539 para 10.827 libras, mais 288. Tudo isto é por cima das propinas do primeiro ano que não estejam já pagas.
O dinheiro tem de estar na conta pelo menos 28 dias seguidos, e esse período tem de terminar no máximo 31 dias antes do pedido. Quem já viveu no Reino Unido com visto durante 12 meses antes de pedir fica dispensado desta prova.
A mudança está escrita nos parágrafos ST 8 a ST 10 da alteração às regras de imigração HC 584, publicada em setembro, que fixa 30 de novembro como data de entrada em vigor. Pedidos feitos até 29 de novembro são decididos com os valores antigos, o que dá a quem já tem o dinheiro reunido um mês para se adiantar.
O que muda com o Erasmus+
O mesmo documento tem uma segunda parte que interessa mais a quem quer ir só um semestre. O Reino Unido vai voltar ao Erasmus+ em 2027, e a HC 584 já criou o caminho legal, em vigor desde 8 de outubro: estudar ao abrigo do programa passa a caber na categoria de visitante, desde que o curso seja dado por uma instituição acreditada que participe no Erasmus+ e o estudante mostre que vai mesmo fazer a mobilidade.
Na prática, um estudante português em Erasmus de poucos meses deixa de ter de passar pelo visto de estudante, com as suas taxas e a prova de meios acima. Estágios e job shadowing feitos através do programa também ficam previstos na mesma categoria, e os estágios incluídos em cursos Erasmus deixam de ter os limites de duração habituais.
Os menores de 18 anos que vão fazer estágio têm de levar autorização escrita dos pais ou do tutor legal e também da sua instituição de origem.
Quem é afetado já
Para quem vai fazer o curso completo, nada disto alivia. Os cidadãos da União Europeia precisam de visto de estudante desde o Brexit, e a fatura de partida inclui o visto, a sobretaxa de saúde e agora este depósito mais alto. Junta-se ao regresso do visto Graduate a dois anos para algumas universidades, anunciado no orçamento britânico desta semana, que muda o que acontece depois do curso.
Se a candidatura está para breve, a regra é simples: quem conseguir submeter o pedido até 29 de novembro faz as contas com os valores de hoje.
Por Juliana Castilho
Ilustração: Tugadaily