Uma marcação verdadeira da AIMA só chega de dois domínios. O resto pode ser burla
Um grupo de brasileiros diz ter pago a uma alegada advogada por marcações na AIMA que nunca existiram, e pelo menos dois já voltaram ao Brasil. A AIMA só envia marcações de @aima.gov.pt ou, em sistemas em transição, de @sef.pt. Veja como confirmar antes de pagar e onde fazer queixa.
Um grupo de brasileiros diz ter pago, ao todo, cerca de 30 mil euros a uma alegada advogada por marcações na AIMA que nunca existiram. Numa lista partilhada pelo grupo, 21 pessoas somam quase 18.500 euros entre taxas e honorários, e pelo menos dois dos lesados já desistiram e voltaram ao Brasil.
O padrão é conhecido de quem acompanha a agência há algum tempo. Quem chega com visto de turista e não consegue vaga sozinho acaba a pagar a um intermediário que promete atalhos. Parte deste grupo foi convencida de que tinha uma recolha de dados biométricos marcada numa associação em Sines. Não tinha. O caso já foi participado à polícia.
Não há forma de recuperar o que se pagou a quem não existe. Há, porém, maneiras de confirmar uma marcação antes de entregar dinheiro a alguém.
Olhe para o remetente
A própria AIMA explica, num aviso sobre e-mails fraudulentos, que as mensagens legítimas de agendamento saem do domínio aima.gov.pt. Alguns sistemas ainda em reestruturação podem enviar a partir de sef.pt, herdado do antigo SEF. Qualquer outro remetente deve levantar suspeitas.
A agência deu um exemplo concreto: noreplyportalsef@saf-aima.pt não é dela, apesar de ter “aima” e “sef” no nome. É exatamente o tipo de endereço que passa num ecrã de telemóvel a correr.
Se recebeu algo assim, a recomendação oficial é simples. Não carregue em ligações, bloqueie o remetente, marque como spam e apague.
Confirme quem lhe está a cobrar
Representar alguém junto da administração pública mediante pagamento é, em regra, um ato reservado a advogados e solicitadores pela Lei 49/2004. Quem o faz sem estar inscrito comete o crime de procuradoria ilícita.
A verificação demora um minuto. A Ordem dos Advogados tem uma pesquisa pública de advogados inscritos, onde pode procurar pelo nome. Se a pessoa que lhe pede dinheiro não aparece lá, isso já é uma resposta.
Desconfie também de pagamentos em dinheiro, transferências para contas pessoais e promessas de “vagas” que mais ninguém consegue.
Onde fazer queixa
A AIMA indica dois caminhos: a queixa online de cibercrime, nos formulários da Polícia Judiciária e do Ministério Público, ou presencialmente numa esquadra da PSP ou num posto da GNR. Guarde as mensagens, os comprovativos de pagamento e o nome e contactos de quem recebeu o dinheiro.
Não é o primeiro caso que contamos de imigrantes enganados por quem lhes devia valer. Em julho, candidatos aos vistos gold perderam 1,2 milhões de euros às mãos do próprio advogado. E para as mudanças de prazos e procedimentos da agência, vamos atualizando o nosso acompanhamento da AIMA.
Por Juliana Castilho
Gráfico: Tugadaily, com dados do aviso da AIMA