A PSP conta afastar mais de mil imigrantes este ano. Nove em cada dez saem pelo próprio pé
A PSP diz que 2026 pode ser o ano com mais afastamentos de sempre. No primeiro ano da sua unidade de fronteiras houve 1.732 retornos voluntários e 221 forçados, contra 23.133 notificações para sair emitidas em 2025.
A PSP espera afastar “muito mais de mil” imigrantes de Portugal até ao fim de 2026, e diz que este pode ser o ano com mais afastamentos do território nacional de que há registo. A previsão é da própria polícia, numa resposta publicada esta terça-feira. Desde agosto do ano passado, é a PSP que tem a seu cargo a fiscalização de estrangeiros e os retornos.
O número precisa de contexto, porque “afastar” não quer dizer, na maior parte dos casos, pôr alguém num avião escoltado.
Quase tudo é retorno voluntário
O balanço do primeiro ano da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), entre 21 de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, mostra o padrão. Houve 1.732 retornos voluntários e 221 retornos forçados, dos quais 83 com escolta policial até ao destino. Feitas as contas, cerca de 89% de quem saiu (quase nove em cada dez) fê-lo voluntariamente.
Desses 1.732 regressos voluntários, 995 aconteceram nos primeiros sete meses de 2026. É esse ritmo que torna plausível a previsão de mais de mil até dezembro.
No mesmo período, a UNEF fez 5.397 ações de fiscalização a 52.421 estrangeiros. Encontrou 1.117 em situação irregular (2,1%), deteve 285 por permanência ilegal, notificou 831 para abandono voluntário e abriu 720 processos de afastamento coercivo, dos quais 262 já tinham decisão.
O que falta para fechar a conta
No mês passado, contámos aqui que Portugal notificou 23.133 estrangeiros para saírem do país em 2025, contra 446 no ano anterior. Esse número vem do Relatório de Migrações e Asilo 2025 da AIMA e cobre sobretudo o período anterior à passagem de competências para a PSP.
Os dois números não se podem dividir um pelo outro (vêm de entidades e períodos diferentes). Mas lado a lado deixam clara a escala: dezenas de milhares de pessoas receberam ordem para sair, e as saídas efetivas registadas pela polícia contam-se em centenas por trimestre. Quantas das 23.133 continuam em Portugal com o prazo expirado, nenhum organismo publicou até agora.
Porque é que o voluntário pesa tanto
O retorno voluntário é mais barato e mais rápido do que um afastamento coercivo, que exige processo, decisão, muitas vezes recurso para tribunal e um voo com escolta. A PSP tem dito que é por aí que concentra o esforço, e os números do primeiro ano batem certo com isso.
Para quem está em Portugal com a autorização caducada ou um pedido recusado, a consequência prática é esta: uma notificação para sair dá um prazo para o fazer por iniciativa própria, e é nessa fase que o regresso voluntário ainda está disponível. Depois disso, o caminho passa a ser o processo coercivo.
Por Juliana Castilho
Infografia: Tugadaily · dados PSP