Morreu Yasuo Fukuda, o primeiro filho de um primeiro-ministro a governar o Japão
O antigo chefe de Governo japonês (setembro de 2007 a setembro de 2008) morreu a 22 de outubro num hospital de Tóquio, de insuficiência cardíaca, aos 90 anos. O Partido Liberal Democrata anunciou a morte esta segunda-feira.
Yasuo Fukuda, primeiro-ministro do Japão entre setembro de 2007 e setembro de 2008, morreu aos 90 anos. Segundo o Partido Liberal Democrata, que divulgou a notícia esta segunda-feira, a morte aconteceu a 22 de outubro num hospital de Tóquio e foi causada por insuficiência cardíaca.
Fukuda ficou na história japonesa por uma razão que não tem nada a ver com o que fez no cargo. O pai, Takeo Fukuda, tinha sido primeiro-ministro entre 1976 e 1978, e Yasuo tornou-se o primeiro filho de um chefe de Governo a chegar ao mesmo lugar. Ao contrário de uma coroa, como a que passou de Harald V para Haakon VIII na Noruega em agosto, a chefia do Governo japonês não se herda, o que torna a dupla Fukuda mais rara do que parece.
Uma carreira que começou tarde
Entrou na política aos 53 anos, depois de uma carreira na indústria petrolífera, e venceu o antigo 3.º círculo de Gunma nas legislativas de 1990. Ganhou sete eleições seguidas.
O primeiro grande cargo chegou em 2000: secretário-chefe do Gabinete, primeiro com Yoshiro Mori e depois com Junichiro Koizumi. Ficou até 2004, mais tempo do que qualquer antecessor, um recorde que só Yoshihide Suga viria a ultrapassar.
Um ano no poder
Chegou a primeiro-ministro em setembro de 2007, depois da demissão de Shinzo Abe, e herdou um parlamento dividido, com a câmara alta nas mãos da oposição. Em 2008 recebeu a cimeira do G8 em Hokkaido, assinou com o presidente chinês Hu Jintao o compromisso de uma “relação estratégica mutuamente benéfica” e encontrou-se com o sul-coreano Lee Myung-bak.
A 1 de setembro de 2008 anunciou que saía, dizendo que o país precisava de uma equipa nova para desbloquear o processo político. Taro Aso sucedeu-lhe semanas depois.
A pomba da diplomacia asiática
Dentro do partido, Fukuda era visto como uma pomba, mais interessado em boas relações com os vizinhos do que em gestos simbólicos. Pouco depois de tomar posse, quando lhe perguntaram se ia visitar o santuário de Yasukuni, respondeu com outra pergunta: valia a pena fazer o que incomoda a outra parte?
Deixou o parlamento em 2012, mas não a diplomacia. Em 2014 esteve em Pequim com Xi Jinping e ajudou a preparar a cimeira com Abe desse ano, a primeira entre os dois líderes. O dia em que o seu Governo tomou posse, a 26 de setembro de 2007, continua registado no arquivo do gabinete do primeiro-ministro japonês.
Por Marta Carneiro
Imagem: Gabinete de Relações Públicas do Gabinete do Japão (内閣官房内閣広報室) / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)