Choveu 351 mm num dia em Chiba, o máximo desde 1966, e morreram oito pessoas
A estação de Chiba registou a 13 de agosto o maior total diário de uma série que começa em 1966, e 115 mm numa única hora. Seis mil pessoas passaram a noite dentro do aeroporto de Narita.
Chiba fica a leste de Tóquio, tem lá um dos dois grandes aeroportos internacionais da capital japonesa e é, em teoria, uma das zonas mais bem preparadas do mundo para chuva forte. Na quinta-feira, isso não chegou.
A Agência Meteorológica do Japão registou 351 milímetros de chuva na estação de Chiba no dia 13 de agosto. É o maior total diário de uma série que começou em 1966 e ultrapassa com folga o recorde anterior, de 259,5 milímetros, estabelecido em 1996. Num único intervalo de sessenta minutos caíram 115 milímetros, contra os 71 que eram o máximo até agora. A agência atribuiu ao episódio um nome próprio, algo que só faz quando considera o evento excecional.
Oito mortes e 39 municípios com abrigos abertos
O balanço da agência japonesa de gestão de emergências, no relatório publicado a 14 de agosto, aponta oito mortos: três na cidade de Chiba, dois em Sakura, e um em cada uma das cidades de Ichikawa, Kashiwa e Yachiyo. Vários dos casos envolveram estradas alagadas e viaturas apanhadas por água a subir depressa.
Às seis da manhã de sexta-feira havia 7.359 pessoas em 359 centros de acolhimento espalhados por 39 municípios. As ordens de evacuação de nível 4 abrangiam mais de 36 mil pessoas em três municípios.
Seis mil pessoas a dormir em Narita
O detalhe que mais viajou foi outro. Numa reunião de coordenação às 22h30 de quinta-feira, cerca de seis mil pessoas continuavam dentro do aeroporto internacional de Narita, sem forma de sair, e receberam ali água, comida e sacos-cama. Noutros pontos da prefeitura, 17 instalações temporárias acolhiam quase quatro mil pessoas que não conseguiram voltar a casa.
As linhas ferroviárias principais foram retomando serviço ao longo de sexta-feira, mas o Narita Express e várias linhas regionais ficaram suspensos o dia inteiro. Cerca de 19.600 instalações continuavam sem eletricidade à tarde, com uma subestação submersa em Chiba, e o gás esteve cortado a perto de 13 mil casas.
O solo ficou saturado, e as autoridades da prefeitura avisaram que mesmo pouca chuva adicional pode desencadear deslizamentos. É a mesma equação que a Europa tem visto do lado oposto do problema: aqui, julho foi o mês mais seco deste século e a seca chegou a todo o continente. Nos dois casos, o que mudou não foi haver água a mais ou a menos — foi a velocidade com que chega.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados da Agência Meteorológica do Japão