Montenegro voa até ao Mundial e a oposição fica em brasa
O primeiro-ministro foi a Toronto ver Portugal-Croácia enquanto o país estava em estado de alerta pelo calor. O Chega não deixou passar.
Poucas imagens dividem tanto como um chefe de Governo numa bancada de futebol enquanto, em casa, se pede à população para não sair à rua nas horas de maior calor. Foi exatamente essa a fotografia que Luís Montenegro ofereceu à oposição ao viajar até Toronto para assistir ao Portugal-Croácia dos oitavos do Mundial.
O contexto do calor
A viagem coincidiu com um período delicado: o Governo declarou o estado de alerta em todo o território continental entre a madrugada de sexta-feira, 3 de julho, e a noite de segunda-feira, 6, com temperaturas a chegar aos 42 graus no interior. O alerta ativa meios de proteção civil e recomenda cuidados redobrados, sobretudo a idosos e a quem trabalha ao sol.
A crítica da oposição
O Chega foi o mais direto: se o cenário é dramático, o primeiro-ministro devia ter ficado em Portugal. A leitura é simbólica mais do que operacional — ninguém sugere que o alerta se gere pessoalmente de São Bento —, mas em política o símbolo conta, e a ideia de um líder a apoiar a seleção do outro lado do Atlântico enquanto o país sua por baixo de um alerta é munição fácil.
Do lado do Governo, a mensagem tem sido de confiança: Montenegro insiste que os portugueses estão a viver melhor e recusa aquilo a que chama imobilismo e pessimismo. Sobre a deslocação, a defesa habitual é a de que apoiar a seleção num Mundial é um gesto de Estado como outro qualquer.
Fica a pergunta que a oposição vai continuar a fazer: onde deve estar um primeiro-ministro quando o país está em alerta?
Veja também: o que significa este estado de alerta pelo calor. Acompanhe a agenda oficial do executivo em portugal.gov.pt.
Imagem: Wikimedia Commons