Zelensky demitiu Fedorov e Kiev foi para a rua gritar que o querem de volta
A saída de Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa levou mais de mil pessoas à praça central de Kiev e provocou a demissão de um comandante adjunto da força aérea. Zelensky defende a remodelação.
Há remodelações que passam despercebidas e há esta. Quando Volodymyr Zelensky afastou Mykhailo Fedorov do Ministério da Defesa, mais de mil pessoas encheram a praça central de Kiev com bandeiras ucranianas e europeias a gritar “vergonha” e a pedir que o ministro volte.
Quem é Fedorov e porque é que a demissão revoltou tanta gente?
Fedorov é o rosto jovem da transformação digital ucraniana — o homem que levou os serviços do Estado para uma aplicação e que fez das drones uma peça central do esforço de guerra. Deputados, militares e ativistas descrevem-no como um dos responsáveis mais eficazes do país em tempo de guerra, o que explica a reação. Ele próprio confirmou a saída a 15 de julho. Um comandante adjunto da força aérea, Pavlo Yelizarov, anunciou no Facebook que se demitia em protesto.
O que diz Zelensky?
O Presidente defende a decisão e enquadra-a numa remodelação mais ampla que anunciou a 12 de julho, dizendo que as mudanças são necessárias para aplicar uma estratégia política atualizada. O problema de timing é evidente: a Ucrânia vinha de ganhos militares, e um choque interno sobre a condução da guerra explodiu à vista de todos.
Não é a primeira peça a cair este mês — a remodelação começou com a demissão da primeira-ministra Yulia Svyrydenko, e a sequência sugere um reset mais profundo do que se admitiu no início. Os anúncios oficiais estão a ser publicados no site da Presidência ucraniana.
Imagem: Wikimedia Commons (CC BY 2.0)