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Rua de prédios de habitação em Lisboa, com fachadas em tons de vermelho, creme e branco
Imobiliário 15 de julho de 2026

O novo arrendamento acessível arranca a 1 de setembro e isenta o senhorio de IRS a 100% — eis a letra pequena

O Regime Simplificado de Arrendamento Acessível entra em vigor a 1 de setembro de 2026: renda até 80% da mediana do concelho, contrato de 3 anos e isenção total de IRS ou IRC sobre a renda.

A partir de 1 de setembro de 2026, um senhorio que arrende uma casa com renda até 80% da mediana do seu concelho e contrato de pelo menos três anos não paga um cêntimo de IRS ou de IRC sobre essa renda. Isenção total, não desconto. É este o Regime Simplificado de Arrendamento Acessível — o RSAA — e é a peça mais agressiva do pacote fiscal da habitação deste ano.

Vale a pena dizer o que isto substitui. O RSAA vem ocupar o lugar do antigo Programa de Apoio ao Arrendamento, e a diferença de filosofia é grande: em vez de uma taxa reduzida, o Estado abdica do imposto inteiro. A troco disso, fixa o preço.

Como funciona o limite de renda do RSAA?

O tecto é calculado sobre os valores medianos de renda por metro quadrado que o INE publica para o concelho onde está o imóvel. O senhorio tem de ficar em 80% ou abaixo dessa mediana.

Repare no detalhe que muda tudo: é por concelho, não é um número nacional. Um tecto de 80% em Lisboa e um tecto de 80% num concelho do interior são realidades completamente diferentes, porque partem de medianas completamente diferentes. Nos primeiros três meses de 2026 a renda mediana nacional foi de 9,46 euros por metro quadrado, enquanto em Lisboa a mediana dos novos contratos foi de 17,42 euros. O regime não achata o país — indexa-o.

E é aqui que está a pergunta que ninguém responde bem: nos concelhos onde a mediana já subiu muito, 80% de um valor alto continua a ser um valor alto. O regime baixa a renda face ao mercado local, não face ao salário de quem a paga.

Quais são as condições para ter a isenção?

São quatro, e nenhuma é negociável.

O contrato tem de ter pelo menos três anos de duração. Há uma exceção: nos casos de residência temporária, o mínimo desce para três meses.

A renda tem de respeitar o limite de 80% da mediana do concelho, segundo as regras que o Governo fixar.

O imóvel tem de ser arrendado para habitação — não é para escritórios nem para alojamento local disfarçado.

E há registo obrigatório. O senhorio tem de submeter na plataforma do IHRU, até 15 de janeiro do ano seguinte ao da celebração do contrato, uma cópia do contrato de arrendamento e o comprovativo da comunicação no Portal das Finanças. Falhar esse prazo é perder a isenção — não é uma formalidade simpática, é a condição.

Quando entra em vigor cada coisa?

O pacote fiscal da habitação, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 97/2026, de 20 de maio, não arranca todo ao mesmo tempo, e é fácil baralhar as datas.

As medidas de IRS têm efeito retroativo a 1 de janeiro de 2026. A taxa reduzida de IVA de 6% nas empreitadas de construção e reabilitação para habitação própria permanente ou arrendamento habitacional entrou em vigor a 1 de julho de 2026. E o RSAA, tal como os Contratos de Investimento para Arrendamento, só arranca a 1 de setembro de 2026.

Se está a pensar celebrar um contrato em agosto, faça as contas antes: um contrato assinado antes de setembro não nasce dentro do regime.

Vale a pena para o senhorio?

Aritmeticamente, quase sempre. A isenção total de IRS sobre a renda é um benefício maior do que a diferença que o senhorio perde ao descer o preço para o tecto dos 80% — sobretudo quem estaria a cair no regime geral. Para rendas moderadas fora do RSAA existe ainda a taxa de 10% de IRS para contratos de pelo menos três anos com renda até 2.300 euros por mês, que é o degrau abaixo deste.

O senão é o compromisso. Três anos com renda travada num mercado que vai em seis trimestres seguidos de valorizações acima de 10% é uma aposta: o senhorio está a trocar a subida potencial da renda por certeza fiscal. Quem acredita que o mercado abranda, ganha. Quem acredita que dispara, hesita.

E é essa hesitação que decide se o regime funciona. A Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários já avisou que a eficácia das medidas fiscais depende da celeridade dos licenciamentos urbanísticos — porque isenção nenhuma cria uma casa que não foi licenciada. Isto junta-se ao lado da procura, onde o Governo decidiu manter a garantia pública para jovens apesar dos avisos do FMI. Estimular procura e oferta ao mesmo tempo num mercado sem stock é, no mínimo, um exercício de equilíbrio.

Perguntas rápidas

Posso pôr a casa no RSAA se já tenho inquilino?

O regime aplica-se a contratos que cumpram as condições, incluindo o registo no IHRU no prazo. Um contrato antigo teria de ser ajustado às regras — renda dentro do tecto e duração mínima — para caber lá dentro.

A isenção é mesmo de 100%?

Sim, sobre os rendimentos prediais obtidos ao abrigo do regime. Não é uma taxa reduzida: os contratos que cumprem as condições ficam isentos de IRS ou de IRC sobre essa renda.

E se eu passar do tecto dos 80% a meio do contrato?

O tecto é a condição de acesso ao benefício. Sair dele é sair do regime — e com ele vai a isenção.

Onde é que confirmo o valor da mediana do meu concelho?

Nos valores medianos de renda por metro quadrado publicados pelo INE para o concelho do imóvel. É essa a base de cálculo do limite. O diploma completo está no Diário da República.

Por Duarte Figueiredo

Imagem: Pedro S Bello / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Este é o distrito onde uma casa para arrendar dura menos de um dia

No segundo trimestre, 43% dos anúncios de arrendamento em Évora saíram do mercado em menos de 24 horas. Em Lisboa foram 5% e no Porto 7%. No país, o número caiu de 11% para 7% face ao trimestre anterior.

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Imobiliário 20 de agosto de 2026

A Euribor a seis meses está no valor mais alto desde 2024. É a taxa que indexa quase quatro em cada dez créditos

A taxa a seis meses fixou-se em 2,737% esta quinta-feira, o máximo desde 22 de novembro de 2024. Os três prazos subiram no mesmo dia, e é o de seis meses que pesa mais no crédito português.

A Euribor a seis meses fixou-se esta quinta-feira em 2,737%. É o valor mais alto desde 22 de novembro de 2024, o que dá quase 21 meses sem que esta taxa estivesse tão cara, e a subida chegou depois de os três prazos terem todos avançado no mesmo dia: a doze meses somou 0,013 pontos, para 2,990%, e a três meses somou 0,015, para 2,507%. Nenhum destes movimentos é dramático isoladamente. O que muda o cálculo é onde a subida bate — e bate no prazo que mais…

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Esta lei diz que as obras em ARU sempre tiveram direito a IVA de 6%. Na prática, só conta a partir de 2022

A Lei n.º 48/2026 faz uma interpretação autêntica da verba 2.23 do Código do IVA e retroage a 2009. A Ordem dos Contabilistas Certificados avisa que o prazo de caducidade de quatro anos limita quem pode recuperar dinheiro.

Durante quinze anos houve uma armadilha escondida no IVA da reabilitação urbana. A obra estava dentro de uma área de reabilitação urbana devidamente delimitada, o empreiteiro achava que aplicava 6%, e depois a Autoridade Tributária vinha dizer que não: faltava a câmara ter aprovado uma operação de reabilitação urbana para aquela área. Resultado, 23%. A Lei n.º 48/2026 acabou de decidir que a leitura correta era sempre a primeira.

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Gráfico de barras da Tugadaily: meta do PRR 26 mil casas, previsão de 28 mil até final de agosto de 2026 e 40 mil até dezembro
Imobiliário 15 de agosto de 2026

A meta europeia eram 26 mil casas. O Governo diz que entrega 28 mil até ao fim de agosto

O prazo do PRR fecha a 31 de agosto e o 1.º Direito era a meta de habitação mais fácil de contar. Numa nota conjunta deste sábado, dois ministérios dizem que vai ser ultrapassada — e prometem 40 mil casas até dezembro.

O Plano de Recuperação e Resiliência tem uma data que não se negoceia: 31 de agosto de 2026. É o dia em que Portugal tem de mostrar a Bruxelas que cumpriu os marcos a que se comprometeu, e a habitação era um dos capítulos com a meta mais fácil de contar. Vinte e seis mil casas disponibilizadas a famílias, através do 1.º Direito, o programa público de apoio ao acesso à habitação gerido pelo IHRU com os municípios.

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Imobiliário 11 de agosto de 2026

São duas travessias novas no Tejo em dez anos, e uma delas desce no Barreiro

O ministro das Infraestruturas prometeu a ponte rodoferroviária Chelas–Barreiro e o túnel Algés–Trafaria concluídos dentro de uma década. Para a margem sul, isso são dez minutos a menos até Lisboa e trinta a menos desde Setúbal.

Nos 60 anos da Ponte 25 de Abril, o ministro das Infraestruturas e Habitação escolheu falar do que ainda não existe. Miguel Pinto Luz garantiu que o Tejo terá duas travessias novas concluídas dentro de dez anos: a ponte entre Chelas e o Barreiro e o túnel entre Algés e a Trafaria. O argumento que usou é aritmético e explica bem porque é que a promessa soa grande. As grandes travessias do Tejo apareceram historicamente de trinta em trinta anos — a 25 de…

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Gráfico Tugadaily: meses de renda em atraso até o senhorio poder resolver o contrato, três hoje e dois na proposta do Governo
Imobiliário 11 de agosto de 2026

Dois meses de renda em atraso passam a bastar para acabar o contrato. A proposta ainda tem de ir ao Parlamento

A reforma do arrendamento urbano aprovada em Conselho de Ministros encurta de três para dois meses a mora que permite resolver o contrato, dá seis meses ao senhorio para agir, liberta a renda inicial dos novos contratos e mexe nos contratos anteriores a 1990.

Hoje, um inquilino tem de acumular três meses de renda em atraso para o senhorio poder pôr fim ao contrato. Na reforma que o Governo aprovou em Conselho de Ministros, bastam dois. É a mudança mais direta de um pacote que o Executivo apresenta como uma forma de trazer casas de volta ao mercado do arrendamento, e que anunciou como reforma para aumentar a oferta de habitação. Nada disto está em vigor: é uma proposta de lei, tem de ser discutida e votada na…

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Gráfico de barras com a variação anual das rendas em julho de 2026: Faro 34%, Viana do Castelo 19%, Madeira 12%, Guarda 11%
Imobiliário 10 de agosto de 2026

Qual é o distrito mais caro para arrendar casa em Portugal? Já não é Lisboa

Faro chegou a 22,5 euros por metro quadrado em julho e ultrapassou pela primeira vez o distrito de Lisboa, nos 21,4 euros. No conjunto do país as rendas subiram 0,9%, interrompendo seis meses seguidos de descidas.

Durante anos houve uma resposta automática para esta pergunta. Em julho deixou de haver. O distrito de Faro passou a ter a renda mediana mais alta do país, 22,5 euros por metro quadrado, e ficou à frente do distrito de Lisboa, nos 21,4 euros. É a primeira vez que acontece nesta série. Os dados são do índice de preços do idealista relativo a julho e chegam com um segundo número que muda o enquadramento. As rendas em Portugal subiram 0,9% face a julho do…

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Edifício do antigo Grémio da Lavoura de Coimbra visto do pátio de acesso, ladeado pelos pequenos armazéns da cooperativa
Imobiliário 10 de agosto de 2026

O antigo Grémio da Lavoura, na Baixa de Coimbra, mudou de dono por 5,8 milhões (e vai dar habitação)

A Cooperativa Agrícola de Coimbra vendeu a um fundo imobiliário espanhol o edifício junto à antiga Estação Nova, à venda desde 2019. São mais de seis mil metros quadrados de índice de construção e a escritura foi assinada na quinta-feira.

Esteve sete anos à espera de comprador e mudou de mãos na quinta-feira. A Cooperativa Agrícola de Coimbra vendeu por 5,8 milhões de euros o edifício do antigo Grémio da Lavoura, junto à desativada Estação Nova, na Baixa da cidade, a um fundo imobiliário espanhol. O negócio ficou perto do objetivo que a cooperativa tinha traçado. Segundo o presidente, Pedro Pimenta, ao longo dos anos em que o imóvel esteve no mercado as propostas que iam chegando eram…

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