Se a sua prestação é revista este mês, são mais 70 euros do que em setembro do ano passado
A Euribor a 12 meses fechou agosto em 2,954%, máximo de dois anos. Num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos com spread de 1%, a prestação revista em setembro fica em 712 euros por mês, contra 642 há um ano.
As médias de agosto já estão fechadas e são elas que mandam nos contratos revistos agora. A Euribor a 12 meses ficou em 2,954%, mais 0,099 pontos do que em julho e o valor mais alto dos últimos dois anos. A seis meses, a mais usada em Portugal, subiu para 2,713%. A três meses ficou em 2,513%.
Traduzido para uma prestação: num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos com spread de 1%, quem tem revisão anual passa a pagar cerca de 712 euros por mês. Em setembro do ano passado, com a Euribor a 12 meses nos 2,114%, o mesmo contrato custava 642. São 70 euros por mês, ou perto de 845 euros ao longo de um ano, e nada disto tem que ver com o banco ter mudado de ideias. As contas são nossas, feitas com as médias mensais publicadas pelo Banco de Portugal e a fórmula normal de amortização.
Quem está indexado a seis meses fica nos 692 euros; a três meses, nos 675. A diferença entre os três prazos é hoje de 37 euros por mês, e é a razão pela qual vale a pena saber de cor qual é o seu indexante e em que mês cai a revisão. Essa data está no contrato e não muda.
Porque é que a Euribor a 12 meses ainda está a subir?
A subida vem da expectativa, não do passado. O Banco Central Europeu reúne-se a 10 de setembro e o mercado conta com mais 25 pontos base, o que levaria a taxa dos depósitos para 2,5%. A inflação na zona euro anda à volta dos 3%, empurrada pelos preços da energia, e vários responsáveis do banco central já deixaram claro que preferem apertar do que arriscar. A Euribor antecipa essas decisões com semanas de avanço, e é por isso que uma reunião que ainda não aconteceu já está na prestação de setembro.
O aperto chega também a quem quer comprar
Para quem vai agora pedir crédito, há um segundo travão. Desde 1 de agosto que a recomendação macroprudencial do Banco de Portugal limita a taxa de esforço a 45% do rendimento líquido, quando antes o limite era 50%. Com prestações mais altas a entrar na mesma conta, há famílias que passam a não caber no crédito que pediam há seis meses, num mercado onde o preço das casas continua a bater recordes e onde a prestação média dos contratos novos já ia em 731 euros em julho.
Para 2027 a maioria das projeções aponta para uma trégua. Até lá, a única variável que está do seu lado é o spread, e esse negoceia-se.
Gráfico: Tugadaily, com as médias mensais da Euribor de agosto