Arrendar um quarto em Lisboa custa 550 euros por mês. Em Portalegre, 240
A procura por quartos subiu 27% num ano e a oferta caiu 11%, mas o preço mediano nacional só mexeu 1%. Os números do idealista mostram onde o mercado apertou mesmo e onde ainda se arrenda por menos de 300 euros.
Arrendar um quarto em Portugal ficou 1% mais caro no segundo trimestre deste ano. Dito assim soa a boa notícia, e em parte é. Por baixo desse número, porém, o mercado mexeu-se muito: a procura nacional subiu 27% e a oferta caiu 11%.
O preço mediano aguentou-se porque as subidas e as descidas se foram anulando pelo país fora. Os quartos ficaram mais caros em 13 dos 20 concelhos analisados. Em dois, ficaram mais baratos.
Lisboa no topo, o interior a segurar os preços
Lisboa é a cidade mais cara para quem procura um quarto, com um valor mediano de 550 euros por mês. Segue-se o Funchal, com 500 euros, e o Porto, com 450. Ponta Delgada (430 euros), Faro (420) e Setúbal (400) completam a frente da tabela.
Do outro lado estão as cidades onde ainda se arrenda por menos de 300 euros: Leiria (300), Vila Real (285), Beja (280), Viseu (275), Castelo Branco (250) e Portalegre (240). Coimbra, apesar de ser uma das grandes cidades universitárias do país, fica-se pelos 335 euros.
Onde a pressão subiu mais
As maiores subidas não aconteceram nas cidades óbvias. Funchal e Vila Real lideram, ambas com mais 14% num ano, seguidas de Beja (12%) e de Ponta Delgada e Santarém, com 8% cada. Bragança e Portalegre foram as únicas onde o preço desceu, 4% em ambas.
A procura conta outra história. Em Beja disparou 160%. Em Coimbra subiu 120% e no Porto 104%. Ao mesmo tempo, o número de quartos anunciados caiu 48% em Coimbra e 43% no Porto, duas cidades onde as aulas recomeçam dentro de semanas e onde há bastante menos por onde escolher do que no ano passado. Nem tudo encolheu: em Ponta Delgada a oferta cresceu 94% e em Bragança 73%.
Já não é só coisa de estudantes
O retrato que sai destes números não se resume a setembro e às mudanças de cidade. O idealista nota que o quarto arrendado deixou de ser uma solução exclusiva de quem estuda, com cada vez mais jovens profissionais a partilhar casa por não conseguirem suportar sozinhos o custo da habitação nas grandes cidades.
É a mesma pressão que já se via quando a procura de arrendamento começou a espalhar-se para o interior e que levou a Universidade de Lisboa a abrir mais 1.018 camas em residências para este ano letivo. Os valores concelho a concelho, incluindo a variação homóloga de cada um, estão publicados pelo idealista.
Se anda à procura, o dado mais útil talvez não seja o preço, mas a oferta. Em Coimbra e no Porto, quem chegar em setembro vai encontrar praticamente metade dos anúncios que havia há um ano.
Gráfico: Tugadaily, com dados do idealista