O gasóleo sobe oito cêntimos na segunda-feira (e o Estado devolve os dois que tinha ficado)
Os mercados pedem mais dez cêntimos no gasóleo e nove na gasolina. O desconto do ISP subiu na sexta-feira e trava cerca de dois, deixando a conta em oito e sete e meio.
Quem puder atestar o depósito este fim de semana deve fazê-lo. A partir de segunda-feira, 17 de agosto, os combustíveis sobem em Portugal continental, e a subida é das maiores do verão: cerca de dez cêntimos por litro no gasóleo simples e nove na gasolina 95, contando só o que vem dos mercados internacionais.
O que chega à bomba, felizmente, é um pouco menos do que isso.
O Estado devolve o que tinha ficado
Na sexta-feira o Governo publicou um despacho a aumentar o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos: mais 2,13 cêntimos no gasóleo e mais 1,42 na gasolina. Feitas as contas, a subida real fica em cerca de oito cêntimos no gasóleo e sete e meio na gasolina 95.
O detalhe que vale a pena guardar é a simetria. Na semana passada os preços desceram e o Governo cortou dois cêntimos ao mesmo desconto, ficando com parte do alívio. Esta semana os preços sobem e o desconto volta a subir quase exatamente o mesmo valor. O mecanismo funciona nos dois sentidos, e quem só repara nele quando trabalha contra si fica com metade da fotografia.
Onde isto deixa o depósito
Com esta previsão, o preço médio deve ficar nos 2,048 euros por litro no gasóleo e 1,962 na gasolina 95. Num depósito de 50 litros, são cerca de 103 euros para encher a gasóleo e 99 a gasolina.
Vale a pena recuar até ao início do ano para perceber a dimensão do que aconteceu. A 1 de fevereiro o gasóleo estava a 1,659 euros e a gasolina a 1,764. São mais 39 cêntimos por litro no gasóleo e mais 19,5 na gasolina — ou seja, o gasóleo encareceu exatamente o dobro da gasolina em seis meses e meio. Para quem faz 50 litros de gasóleo por semana, a diferença face a fevereiro anda perto de vinte euros por depósito.
Uma boa parte dessa distância explica-se pelo prémio de risco que o gasóleo carrega desde que o abastecimento no Golfo se complicou, e não pela inflação medida no consumidor, que aliás abrandou para 3% em julho.
O preço final continua a ser decisão de cada posto
Repete-se porque se esquece: em Portugal a política de preços dos combustíveis é livre. Estes valores são a previsão do movimento médio, não uma tabela afixada. Cada marca decide o que faz com a subida, e a diferença entre o posto mais barato e o mais caro do mesmo concelho passa facilmente os dez cêntimos por litro.
Antes de abastecer, o comparador oficial da DGEG mostra os preços atualizados posto a posto, com filtro por localidade e tipo de combustível. É gratuito, e é a mesma base que as gasolineiras são obrigadas a alimentar todos os dias.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados ISP e DGEG