Os combustíveis descem esta segunda-feira. O Estado ficou com dois cêntimos da descida
Para a semana de 10 a 16 de agosto, os mercados tiram cerca de 12 cêntimos ao gasóleo e 12,5 à gasolina 95. O corte no desconto do ISP reduz o alívio a 10 e 10,5 cêntimos.
Quem adiou o depósito para segunda-feira acertou. A partir de 10 de agosto, os combustíveis descem em Portugal continental, e a descida é das maiores do verão: cerca de 12 cêntimos por litro no gasóleo simples e 12,5 cêntimos na gasolina 95, contando apenas o que vem dos mercados internacionais.
Só que não é isso que vai aparecer no mostrador da bomba.
O corte de dois cêntimos que muda a conta
Ao mesmo tempo que os mercados aliviavam, o Governo decidiu reduzir em dois cêntimos o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, numa portaria publicada na sexta-feira que entra em vigor a 10 de agosto. É um mecanismo que tem sido ajustado quase semana a semana desde que os preços dispararam, e funciona nos dois sentidos: quando a fatura sobe, o desconto amortece; quando desce, o Estado recupera parte do que abdicou.
Feitas as contas, o que chega ao consumidor é uma descida de cerca de 10 cêntimos no gasóleo e 10,5 cêntimos na gasolina 95. Num depósito de 50 litros, são aproximadamente cinco euros a menos, para os dois combustíveis. Depois de uma semana em que o gasóleo ainda subiu dois cêntimos, é a primeira folga a sério desde o início de julho.
O preço final continua a ser decisão de cada posto
Vale a pena repetir uma coisa que se esquece com facilidade: em Portugal a política de preços dos combustíveis é livre. Estes valores são a previsão do movimento médio, não uma tabela. Cada marca e cada estação de serviço decide o que faz com a descida, e a diferença entre o posto mais barato e o mais caro do mesmo concelho chega a passar os dez cêntimos por litro.
Antes de abastecer, o comparador oficial da DGEG mostra os preços atualizados posto a posto, com filtro por localidade e por tipo de combustível. É gratuito e é a fonte que as próprias gasolineiras são obrigadas a alimentar.
E o resto do verão?
A descida desta semana vem sobretudo da correção do petróleo nos mercados internacionais, e essas correções costumam durar pouco. Com o desconto do ISP a ser recalibrado quase todas as semanas, o mais provável é que agosto continue assim: movimentos de vários cêntimos nos mercados, atenuados por ajustes fiscais no sentido contrário. Para o orçamento das famílias, o que conta é o preço à saída, e esse tem-se mantido teimosamente perto dos dois euros mesmo com a inflação a abrandar para os 3%.
Por Beatriz Mota
Infografia: Tugadaily · dados ISP e DGEG