São 1.600 milhões de euros para a rede que leva a eletricidade até sua casa
O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira o plano de investimento na rede nacional de distribuição em alta e média tensão para 2026-2030. O objetivo é aguentar mais carros elétricos, mais bombas de calor e mais renováveis a entrar ao mesmo tempo.
O Conselho de Ministros aprovou a 6 de agosto o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede Nacional de Distribuição de Eletricidade em Alta e Média Tensão para 2026-2030. Total previsto: 1.600 milhões de euros.
É a parte da rede de que quase ninguém fala. A alta tensão dos grandes corredores atravessa o país e é fácil de ver; a média tensão é a que sai das subestações e chega aos bairros, às fábricas médias, aos postos de carregamento. Quando falta luz numa rua, o problema costuma estar aqui.
Porque é que o valor subiu agora
Três coisas estão a acontecer ao mesmo tempo e todas puxam pelo mesmo lado. Está a entrar mais produção renovável, e a solar em particular injeta energia em pontos da rede que foram desenhados para a receber, não para a mandar para trás. Está a aumentar o consumo elétrico onde antes havia gás ou gasóleo, dos automóveis ao aquecimento. E o clima tornou-se menos previsível, o que significa mais dias de calor extremo a testar equipamento que foi dimensionado para outra coisa.
O plano fala em resiliência e modernização, que é a forma diplomática de dizer que uma parte da rede tem idade e que reforçá-la é mais barato do que reparar avarias em cascata.
Onde é que isto encosta ao resto
Investimento em rede é investimento público-privado com prazos longos, e o país já leva outros compromissos em cima, do aumento da dívida pública no segundo trimestre à corrida por capacidade de computação, com projetos como o data center de computação avançada em Guimarães — que, note-se, é exatamente o tipo de cliente que consome eletricidade de forma intensa e constante.
Para quem paga a fatura, o efeito não é imediato. Estes planos plurianuais entram nas tarifas reguladas ao longo dos anos seguintes, e é a ERSE que fixa quanto do investimento passa para o consumidor final. O comunicado do Conselho de Ministros está no portal do Governo.
Por Beatriz Mota
Imagem ilustrativa · Foto: Brandon Zhang (CC0)