A easyJet aceitou ser comprada pela Apollo por 5,7 mil milhões de libras
São 7,15 libras por ação, em dinheiro, e a proposta só ficou de pé depois de a Castlelake desistir. O negócio precisa dos acionistas, dos tribunais britânicos e das autorizações de concorrência, e não fecha antes do primeiro trimestre de 2027.
A easyJet vai deixar a bolsa de Londres. O conselho de administração aceitou uma oferta da Apollo Global Management que avalia a companhia em 5,7 mil milhões de libras, cerca de 7,7 mil milhões de dólares, e o anúncio saiu a 6 de agosto, poucas horas depois de a rival Castlelake ter dito que já não avançava.
O preço são 7,15 libras por ação, pagas em dinheiro. Quem compra, na prática, é a Eagle Bidco, uma sociedade sediada em Jersey e detida indiretamente por fundos geridos por afiliadas da Apollo. O comunicado da própria companhia detalha os termos e aponta o fecho para o final do primeiro trimestre de 2027.
O detalhe que decide se isto funciona
Uma companhia europeia só mantém os direitos de tráfego dentro da União Europeia se continuar maioritariamente detida e controlada por interesses europeus. É a regra que complica qualquer compra de uma transportadora por um fundo americano, e a estrutura montada aqui existe por causa dela: os fundos da Apollo ficam com um máximo de 49,9% da estrutura de aquisição, mantêm-se acionistas europeus qualificados e cria-se um trust de gestão na UE.
Falta ainda muita coisa. O negócio precisa do voto dos acionistas, do aval dos tribunais britânicos, das licenças de aviação, do controlo de concentrações e das autorizações de investimento estrangeiro.
O que muda para quem voa de Portugal
Por agora, nada. A easyJet opera para Lisboa, Porto e Faro e nada no anúncio mexe em rotas, horários ou bilhetes já comprados — mudanças desse tipo, quando chegam, vêm depois do fecho e não antes.
Vale a pena olhar para isto ao lado do resto do setor. Portugal está a viver o seu próprio processo de mudança de dono no ar, com a privatização da TAP a entrar na fase das propostas vinculativas, e os aeroportos nacionais continuam a bater recordes de passageiros. O capital privado a comprar companhias europeias inteiras é a outra metade da mesma história.
Por Beatriz Mota
Imagem: RubenVanKuik / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)