A Dstelecom está à venda e a KKR entrou na corrida — a fibra de Braga pode valer 400 milhões
A KKR e a Vauban são finalistas na compra da posição maioritária na Dstelecom, a operadora grossista de fibra que chega a um milhão de casas.
A Dstelecom, a operadora grossista de fibra ótica nascida em Braga, entrou na reta final de uma venda que está a atrair gigantes: a norte-americana KKR e a francesa Vauban Infrastructure Partners estão entre os finalistas para comprar a posição maioritária da empresa, numa operação que pode avaliar o grupo entre 300 e 400 milhões de euros.
O que está exatamente à venda?
Os 54% detidos pela Cube Infrastructure Managers, o fundo que há uma década apostou na empresa. Os restantes 46% pertencem ao grupo dst, o conglomerado da família Gonçalves Teixeira que fez da construção e da engenharia uma plataforma tecnológica com sede em Braga. A rede da Dstelecom chega hoje a cerca de um milhão de casas, sobretudo em zonas onde mais ninguém tinha querido levar fibra — os detalhes da cobertura estão no site oficial da empresa.
O processo já teve várias voltas: em junho, as propostas vinculativas apontavam para a FastFiber e para a própria Vauban; agora a corrida final junta a Vauban e a KKR, um dos maiores investidores mundiais em infraestrutura digital.
Porque é que a fibra grossista vale tanto?
Porque é o tipo de ativo que os fundos de infraestrutura adoram: contratos longos, receitas previsíveis e uma rede que os operadores de retalho precisam de alugar para chegar aos clientes. E o interesse encaixa num arranque de ano em que as empresas portuguesas estão mais rentáveis e menos pressionadas financeiramente — ativos nacionais sólidos raramente estiveram tão apetecíveis.
Falta agora saber quem leva o leilão — e se a fibra que nasceu para ligar o interior esquecido acaba nas mãos de Nova Iorque ou de Paris.
Por Beatriz Mota
Imagem: Dstelecom