O sistema Volta recebeu 305 milhões de embalagens em cinco meses
Arrancou a 10 de abril e triplicou nos últimos dois meses: eram 100 milhões aos três meses de vida, são 305 milhões aos cinco. A média ronda agora cinco milhões de devoluções por dia.
O sistema de depósito e reembolso de embalagens de bebidas entrou ao serviço a 10 de abril e, cinco meses depois, já recebeu mais de 305 milhões de garrafas e latas de uso único.
A curva diz mais do que o total. Ao fim de dois meses tinham sido devolvidas mais de 10 milhões de embalagens. Aos três meses, 100 milhões. Aos cinco, 305 milhões. Por outras palavras, o número triplicou nos últimos dois meses, o que é o comportamento típico de um sistema em que o hábito demora a instalar-se e depois se instala de vez.
O ritmo a que isto acontece agora
A média ronda os cinco milhões de embalagens por dia, o equivalente a mais de 3.400 por minuto. São cerca de 57 devoluções por segundo, todos os dias, em máquinas de supermercado e hipermercado, quiosques e pontos manuais em minimercados.
Cada embalagem devolvida vale dez cêntimos, que é a caução paga na compra. O reembolso sai em talão convertível em dinheiro ou em desconto, por via digital, ou pode ser doado a instituições de solidariedade social.
As regras que fazem a máquina aceitar
As condições continuam a ser a parte onde as pessoas se enganam. A embalagem tem de estar vazia, não pode estar amassada, tem de trazer a tampa colocada, tem de exibir o símbolo Volta e o código de barras tem de estar legível. Falha uma destas coisas e a máquina devolve a garrafa sem devolver o dinheiro. A página de perguntas frequentes do sistema detalha cada caso.
Em Portugal consomem-se cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas por ano, e a régua que conta é a meta europeia de 90% de recolha seletiva de garrafas de plástico de uso único até 2029, fixada na diretiva dos plásticos de uso único. A 305 milhões em cinco meses, o ritmo anualizado ainda fica bem abaixo desse patamar — mas a trajetória dos últimos dois meses é o argumento de quem defende que o sistema ainda está a ganhar velocidade.
Nem tudo correu direito desde abril. Em agosto continuavam à venda garrafas sem o símbolo Volta, cuja caução não é devolvida, um efeito de escoamento do stock antigo que gerou confusão nos balcões.
Por Beatriz Mota
Gráfico: Tugadaily · Fonte: Sistema Volta