A Variante Nascente de Évora abriu ao trânsito (e a conta dos 40% ainda é uma estimativa)
São 12,8 quilómetros com perfil de autoestrada entre o nó da A6 e a EN18, em São Manços, pagos com 54,9 milhões do PRR. A redução de trânsito dentro da cidade é uma projeção da câmara, não uma medição.
Quem for para o Alentejo este fim de semana já não precisa de atravessar Évora. A nova Variante Nascente do IP2 abriu ao trânsito na quinta-feira, com 12,8 quilómetros de perfil de autoestrada — duas faixas em cada sentido — a ligar o nó de Évora Nascente da A6 ao IP2/EN18, na zona de São Manços.
O investimento foi de 54,9 milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência. A obra fecha um troço que obrigava o tráfego entre o sul do país, Espanha, Lisboa e o norte a entrar na malha urbana de uma cidade classificada pela UNESCO, com tudo o que isso significa em pesados a passar onde não deviam.
Quanto trânsito sai mesmo da cidade
Aqui vale a pena separar o que está feito do que está previsto. A estrada existe e está aberta; o número que anda a circular — uma redução entre 30% e 40% do trânsito automóvel dentro de Évora — é uma estimativa da própria Câmara Municipal, feita antes de a variante ter um único dia de contagens.
Não é um número inventado, é uma projeção razoável a partir das origens e destinos do tráfego que hoje atravessa a cidade. Mas é uma projeção. O impacto real só se mede daqui a alguns meses, e o efeito mais visível deve ser nos veículos pesados, que são também os que mais pesam nas ruas de um centro histórico.
O resto dos 700 milhões
A variante não vem sozinha. A Infraestruturas de Portugal anunciou na mesma semana um investimento de 700 milhões de euros no Alentejo até ao final de 2028, repartido pelos três distritos e pelas duas redes, rodoviária e ferroviária.
É muito dinheiro para uma região com pouca gente e muitos quilómetros, e é a diferença entre uma obra e um programa. Como acontece com o novo Ascensor da Glória, que só abre em 2029, o calendário é a parte que costuma mexer-se. Guardamos a data de 2028 para voltar a ela.
Por Marta Carneiro
Imagem: Infraestruturas de Portugal