Guterres sai da ONU no fim do ano e já há sete pessoas a disputar a cadeira dele
O mandato de António Guterres na ONU acaba a 31 de dezembro de 2026. Quem são os candidatos a secretário-geral, como funciona a escolha e quando se conhece o nome.
A 31 de dezembro acaba a década de António Guterres à frente das Nações Unidas, e o sucessor entra ao serviço logo a 1 de janeiro de 2027. Para Portugal é o fim de um ciclo raro — não é todos os dias que um português ocupa o lugar mais visível da diplomacia mundial — e para a ONU é a decisão mais importante de um ano em que a organização já andava a levar pancada de todos os lados.
Quem são os candidatos a suceder a Guterres?
A lista foi crescendo ao longo do ano e vai já em sete nomes. Estão na corrida Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile; Rafael Grossi, o argentino que dirige a Agência Internacional de Energia Atómica; Rebeca Grynspan, da Costa Rica, à frente da conferência da ONU para o comércio e desenvolvimento; María Fernanda Espinosa, do Equador, que já presidiu à Assembleia Geral; Macky Sall, ex-presidente do Senegal; e, mais recentemente, o diplomata ugandês Olara Otunnu.
Há um fio condutor evidente: quatro dos candidatos vêm da América Latina e das Caraíbas, a única grande região que nunca deu um secretário-geral desde 1981, e várias das candidaturas mais fortes são de mulheres, num cargo que em oitenta anos nunca foi ocupado por uma. As duas coisas juntas fazem uma pressão política difícil de ignorar.
Quando é que se sabe o nome?
O calendário aponta para o fim de julho: é nesta altura que o Conselho de Segurança, com os seus quinze membros, deve indicar publicamente a escolha, por carta dirigida à Assembleia Geral, que depois vota. Na prática, quem decide são os cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido — porque qualquer um deles pode chumbar um nome sozinho. Foi assim que se chegou a Guterres em 2016 e é assim que se chegará ao próximo.
O processo, esse, está mais aberto do que era: desde 2016 há audições públicas e diálogos interativos em que os candidatos respondem a Estados-membros e à sociedade civil, e a ronda deste ano decorreu em abril. Continua a ser um concurso decidido à porta fechada, mas com uma antecâmara iluminada. O ponto de situação oficial e o perfil do cargo estão no site do secretário-geral das Nações Unidas.
Quem quer que ganhe herda uma organização com o orçamento apertado, cortes profundos nas agências humanitárias e uma dúvida de fundo sobre até que ponto ainda consegue travar seja o que for — a mesma dúvida que atravessou a cimeira da NATO em Ancara e quase todas as reuniões multilaterais deste ano. É um lugar com muito palco e pouca alavanca. Guterres sabe-o melhor do que ninguém.
Imagem: Jdforrester / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)