O Algarve é o segundo melhor sítio do mundo para viver a reforma (e já não é pelo preço)
O índice anual da Live and Invest Overseas coloca o Algarve atrás apenas de Boquete, no Panamá, e à frente de Creta, Puerto Vallarta e Tarragona. Aponta um custo de cerca de 3.085 dólares por mês para um casal.
Há uma lista americana que sai todos os anos e que, sem grande alarido, move gente de um continente para outro. É o Overseas Retirement Index, da Live and Invest Overseas, e na edição de 2026 o Algarve ficou em segundo lugar entre os melhores sítios do mundo para viver a reforma. À frente ficou apenas Boquete, uma vila nas terras altas do Panamá.
O que o Algarve deixou para trás diz mais do que o lugar em si. A região ficou à frente de Puerto Vallarta, no México, da Gasconha, em França, de Creta, na Grécia, e de Tarragona, em Espanha. Todos destinos com décadas de reputação junto de reformados estrangeiros.
O que a lista mede, exatamente
O índice não é um concurso de beleza. Compara os destinos por custo de vida, saúde, segurança, clima, impostos, infraestruturas, regras de residência, mercado imobiliário e força da comunidade estrangeira já instalada. É a soma disso que produz a classificação, e é por isso que o clima ameno sozinho nunca chegaria.
No caso algarvio, os pontos fortes apontados são previsíveis e reais: o clima, a linha de costa, a facilidade de chegar ao resto da Europa em poucas horas e uma comunidade internacional que já não precisa de ser construída do zero. Quem chega encontra médicos, contabilistas e vizinhos que já passaram pelo mesmo processo.
O número que interessa antes de fazer as malas
A organização estima que um casal a viver como descreve no índice precisa de cerca de 3.085 dólares por mês no Algarve. Não é uma pechincha, e a própria lista reconhece que a região deixou de ser o destino barato que era há uma década. Quem comparar esse valor com as rendas e os preços de venda atuais percebe depressa que o Algarve entrou noutro campeonato, como se vê no custo real de comprar casa em Portugal sendo estrangeiro.
Depois há a parte que nenhum ranking resolve: a autorização de residência. Reformados de fora da União Europeia continuam a precisar do visto adequado antes de se instalarem, e o percurso mais comum é o visto D7, para quem vive de rendimentos passivos. O segundo lugar mundial é um bom argumento para uma conversa ao jantar. A papelada é que continua a ser feita a horas de expediente.
Por Juliana Castilho
Imagem: Bextrel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)