A Rússia atacou Kiev com um dos maiores bombardeamentos da guerra — e a Ucrânia respondeu com 400 drones
Um ataque com mísseis balísticos fez seis mortos em Kiev e dez perto de Odessa. A Ucrânia respondeu com 400 drones sobre Moscovo.
A Rússia lançou sobre Kiev um dos maiores ataques com mísseis balísticos desde o início da guerra, e o balanço desta segunda-feira conta pelo menos seis mortos e dezenas de feridos na capital ucraniana. Perto de Odessa, no sul, outro ataque russo matou dez pessoas. Moradores de Kiev descreveram duas vagas de explosões, com prédios a tremer e portas arrancadas pela onda de choque.
Como respondeu a Ucrânia?
Com uma enxurrada de drones: cerca de 400 aparelhos foram lançados contra Moscovo, ferindo duas pessoas e provocando incêndios em edifícios da capital russa. É o padrão que a guerra assumiu neste verão — mísseis contra cidades ucranianas, drones em massa contra solo russo — e cada ronda parece subir mais um degrau.
O ataque chega numa altura em que Kiev vive semanas politicamente agitadas. O país estreou um novo primeiro-ministro com a rua ainda em protesto, e os aliados europeus continuam a discutir que armas enviar — o Reino Unido, por exemplo, prometeu novos mísseis balísticos a Kiev para 2027.
E os civis, como ficam?
São eles quem paga cada escalada. As Nações Unidas têm documentado o custo humano dos ataques a zonas residenciais ucranianas — os relatórios estão no site do ACNUDH — e este verão os abrigos de Kiev voltaram a encher-se de famílias que dormem no metro. Depois de quatro anos e meio de guerra, a normalidade na capital ucraniana continua a ser isto: café aberto de manhã, sirene à noite.
Sem negociações à vista e com ambos os lados a investir em mais alcance e mais volume, o receio em Bruxelas é simples — que o outono traga ainda mais noites como a desta segunda-feira.
Por Marta Carneiro
Imagem: Ralf Roletschek / Wikimedia Commons (GFDL 1.2)