Cinco toneladas de cocaína apreendidas num porta-contentores levado para Sines
A Polícia Judiciária abordou o navio a cerca de 640 milhas de Lisboa, escoltou-o com a Marinha até Sines e deteve três pessoas. A operação chamou-se Skydrop e envolveu polícias britânicas e espanholas.
A Polícia Judiciária apreendeu cerca de cinco toneladas de cocaína dentro de um porta-contentores que foi rebocado até ao porto de Sines. Três pessoas ficaram detidas.
O navio vinha de um país da América Latina e foi intercetado bem longe da costa, a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a 1.185 quilómetros. A abordagem, segundo a Polícia Judiciária, decorreu em condições extremamente difíceis, em mar aberto e com apoio da Marinha e da Força Aérea. Depois disso o porta-contentores foi acompanhado até Sines, onde atracou na madrugada de terça-feira. As buscas a bordo duraram o dia inteiro.
Dos três detidos, dois viajavam como passageiros clandestinos e em situação irregular. O terceiro é um tripulante, suspeito de estar por dentro do esquema. A investigação, batizada Operação Skydrop, arrancou no início de agosto.
Quem é que trabalhou nesta operação
O caso correu no âmbito do Centro de Análise e Operações Marítimas para as Drogas, o MAOC-N, que funciona a partir de Lisboa e junta vários países europeus na perseguição a carregamentos por via marítima. Trabalharam com a PJ a National Crime Agency britânica e a Polícia Nacional espanhola. É o tipo de cooperação que raramente aparece nas notícias, mas que explica como se descobre que um contentor específico, num navio específico, no meio do Atlântico, vale a pena parar.
Cinco toneladas é muita droga, mesmo para os padrões recentes. Chega quatro dias depois de duas toneladas de cocaína terem dado à costa na Comporta sem que ninguém fosse detido — um episódio de sinal contrário, em que a droga apareceu e os donos não.
O Atlântico português é um corredor de passagem, não um destino. Sines fica no caminho de qualquer rota que ligue a América do Sul ao norte da Europa, e é o principal porto de águas profundas do país — o sítio óbvio para levar um navio grande que precisa de ser revistado de alto a baixo.
Os detidos foram presentes a autoridade judiciária. O grupo, diz a PJ, dedicava-se à introdução de grandes quantidades de droga na Europa continental.
Por Marta Carneiro
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)