Este eclipse lunar tapa 96% da Lua e vê-se de Portugal a olho nu, na madrugada de 28 de agosto
A fase parcial começa às 3h33 em Lisboa e o máximo é às 5h13, com 96,3% do disco lunar dentro da sombra da Terra. Ao contrário do eclipse do Sol de 12 de agosto, este não exige óculos.
Duas semanas depois de meio país ter passado a tarde a olhar para o Sol com óculos de cartão, há outro eclipse à porta. Este pede exatamente o contrário: nada nos olhos, e o despertador posto.
Na madrugada de sexta-feira, 28 de agosto, a Lua atravessa a sombra da Terra. Tecnicamente é um eclipse parcial, mas por pouco. No instante de máximo, 96,3% do disco lunar está dentro da umbra, a zona da sombra onde o Sol fica completamente tapado pela Terra. A parte eclipsada não desaparece: fica cor de cobre, pelo mesmo motivo que faz o pôr do sol ser vermelho.
As horas, em Portugal continental
Os tempos oficiais vêm em tempo universal, e o continente e a Madeira estão neste momento uma hora à frente. Convertidos, ficam assim:
- A Lua entra na penumbra às 2h23. É subtil e é provável que nem repare.
- A fase parcial começa às 3h33, quando a sombra escura começa a morder o disco.
- O máximo é às 5h13.
- A fase parcial termina às 6h52.
- A penumbra sai de cena pouco depois das 8h.
Nos Açores, tire uma hora a cada um destes valores: o máximo dá-se às 4h13. Os contactos calculados por Fred Espenak dão à fase parcial uma duração de 3 horas e 19 minutos, o que para um eclipse que nunca chega à totalidade é bastante.
Como ver, e o que não é preciso
Não precisa de nada. Nenhum eclipse da Lua exige proteção ocular, ao contrário do eclipse do Sol de 12 de agosto, que obrigou a filtros certificados e a alguma paciência. Binóculos ajudam a distinguir a fronteira da sombra, e um telescópio mostra melhor a cor, mas isto vê-se de uma varanda.
O que convém mesmo é o horizonte. Para quem observa da Europa ocidental, a Lua vai descendo para poente à medida que o eclipse aprofunda, por isso a diferença entre uma boa madrugada e uma frustrante está em ter céu limpo e nada alto do lado oeste. Portugal está entre os melhores sítios do continente para este: a NASA coloca as Américas, a Europa ocidental e a África ocidental dentro da zona onde a fase parcial é visível.
Quando é o próximo
Este eclipse pertence ao ciclo Saros 138 e é o vigésimo nono de 82. O anterior da mesma série foi a 16 de agosto de 2008. O seguinte só chega a 7 de setembro de 2044, o que é uma forma pouco subtil de dizer que vale a pena pôr o despertador.
Se falhar, o consolo é que agosto de 2026 já foi generoso. Um eclipse total do Sol e as Perseidas no mesmo mês não é combinação que se repita com frequência.
Por Marta Carneiro
Imagem: NASA's Scientific Visualization Studio / Ernie Wright