O calor deste verão está ligado a mais de 32 mil mortes na Europa. Em Portugal foram mais de 600
As estimativas provisórias do sistema europeu EuroMOMO apontam para mais de 32 mil mortes acima do esperado entre meados de julho e meados de agosto. A Alemanha contabiliza 14 mil, e o verão ainda não acabou.
Os números do verão europeu começam a fechar, e não são bons. Entre meados de julho e meados de agosto, a plataforma europeia EuroMOMO estima mais de 32 mil mortes acima do esperado nos 23 países que lhe enviam dados. Em Portugal, os apuramentos da Direção-Geral da Saúde apontam para mais de 600 mortes em excesso entre meados de junho e o final de julho.
São estimativas provisórias, e vão mexer nas próximas semanas. O EuroMOMO não publica repartição por país: mede o desvio entre a mortalidade registada e a esperada para aquela semana do ano, e é essa diferença que aparece nas contas.
As duas semanas que pesaram mais
A última semana de junho foi a pior do verão, com perto de 16 mil mortes acima do esperado em toda a rede. A primeira semana de julho vem a seguir, com cerca de 8 mil. As duas coincidiram com vagas de calor, e o mesmo ar seco que as trouxe deixou o território pronto a arder — foi por aí que passámos boa parte de julho, quando metade da União Europeia esteve em seca.
O retrato país a país
A Alemanha regista 14 mil mortes associadas ao calor até 9 de agosto, o valor mais alto desde que o Robert Koch Institut começou a contar, em 2016. A França vai em 7.300 mortes em excesso entre o final de maio e 22 de julho, e o número vai subir, porque a vaga que começou no fim de julho ainda não entrou nas contas. Espanha soma cerca de 4.500 mortes atribuídas ao calor entre 1 de junho e 19 de agosto.
Depois vêm os países mais pequenos, onde a proporção conta mais do que o total: 2.877 em Inglaterra, 2.570 na Bélgica em apenas um mês, 968 nos Países Baixos em duas semanas, 396 na Áustria em junho. Em quase todos, quem morre tem mais de 75 anos.
Porque é que Portugal aparece com um número baixo
Porque a janela medida é outra e mais curta, e porque os picos de calor deste verão bateram com mais força no centro e no norte do continente europeu do que na península. Não é motivo para conforto: 600 mortes acima do esperado em seis semanas continua a ser uma vaga de calor com peso próprio, e o verão português teve o seu custo noutra coluna — a das chamas, com mais fogos e menos área ardida do que em 2025.
A conta final só se conhece no outono, quando os registos atrasados entrarem e cada autoridade nacional fechar o seu período. Até lá, o que existe é uma ordem de grandeza — e essa já está estabelecida.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily, com dados das autoridades de saúde nacionais