Há poeiras do Norte de África sobre o Sul do país até amanhã (e na terça o calor quebra)
A DGS prevê fraca qualidade do ar a 14 e 15 de setembro em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, com subida das PM10. É o segundo episódio em onze dias, e a partir de terça-feira a máxima cai até nove graus no litoral.
Uma massa de ar vinda dos desertos do Norte de África está a atravessar Portugal Continental esta segunda e terça-feira, e traz poeiras em suspensão. A Direção-Geral da Saúde publicou a recomendação que costuma sair nestes episódios, e desta vez o aviso aponta para a generalidade da Zona Sul do território — sobretudo Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
O que sobe é a concentração de PM10, as partículas inaláveis de origem natural. Não é fumo de fábrica nem de trânsito. É pó do Saara, e mesmo assim tem efeitos na saúde, sobretudo em crianças e idosos.
O que a DGS pede
À população em geral: evitar esforços prolongados, limitar a atividade física ao ar livre e afastar-se de fatores de risco como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes. A crianças, idosos, doentes com problemas respiratórios crónicos (a asma está lá nomeada) e doentes do foro cardiovascular: permanecer dentro de casa sempre que for viável, de preferência com as janelas fechadas. Quem faz tratamento crónico mantém-no. E se os sintomas piorarem, a indicação é ligar para a Linha Saúde 24, no 808 24 24 24, ou recorrer a um serviço de saúde. Os valores medidos estação a estação estão no portal QualAr da Agência Portuguesa do Ambiente.
É a segunda vez este mês. O aviso anterior da DGS cobria o dia 3 de setembro e nessa altura apanhava a generalidade do território, com o Centro e o Sul à cabeça. Poeira do Saara no fim do verão não é novidade nenhuma em Portugal. Dois episódios em onze dias já dá para reparar.
Depois das poeiras, o calor parte-se ao meio
Esta segunda-feira foi das mais quentes do mês, com 38 graus em Évora e em Santarém. A partir de terça o mapa divide-se. No litoral a máxima desaba: Santarém passa dos 38 para os 30, Lisboa dos 35 para os 29, Coimbra dos 34 para os 26 e Leiria dos 33 para os 24. Aveiro fica-se pelos 23 e o Porto pelos 24.
No interior quase não se dá por isso. Castelo Branco e Évora ainda chegam aos 37 graus na terça, Beja aos 35, Bragança e Faro à volta dos 34. O vento roda para norte e noroeste na terça e na quarta, e é essa rotação que explica a diferença entre quem está à beira-mar e quem está cinquenta quilómetros para dentro. Se lhe parece um verão que não quer acabar, vale a pena reler o que a OMS Europa já diz sobre tratar o calor extremo como emergência de saúde pública e porque é que a Europa Ocidental teve o verão mais quente de sempre sem que Portugal entrasse nas listas.
Por Marta Carneiro
Imagem de arquivo (janeiro de 2022): Copernicus Sentinel-3 / União Europeia — contém dados Copernicus Sentinel modificados 2022