Havia 207 086 jovens com direito ao cheque-livro. Pediram-no 52 448
A 2.ª edição fechou a 31 de agosto com 45 075 vouchers de 30 euros gastos em livros. É o melhor resultado desde 2024 e, ainda assim, pouco mais de um quinto de quem podia.
A segunda edição do cheque-livro fechou na segunda-feira, 31 de agosto, e o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto apresentou os números na terça-feira. Foram emitidos 52 448 vouchers de 30 euros e usados 45 075. A taxa de utilização subiu de 82,4 para 85,9 por cento face à edição anterior.
Esse é o número que o comunicado põe à frente, e é um bom número. Só que mede uma coisa muito estreita: de cada cem jovens que pediram o cheque, quase 86 foram mesmo a uma livraria gastá-lo. Não diz nada sobre quantos o pediram.
O denominador que muda tudo
O programa destinava-se a jovens residentes em Portugal nascidos em 2007 e 2008 — um universo de 207 086 pessoas, segundo os dados do próprio ministério. Contra esse universo, os 52 448 cheques emitidos são 25,3 por cento. Os 45 075 efetivamente gastos são 21,8 por cento.
Ou seja: três em cada quatro jovens com direito a 30 euros para comprar um livro nunca chegaram a pedi-los. E o dinheiro que não foi levantado não foi para lado nenhum — simplesmente não saiu.
Vale a pena dizer que a edição anterior foi pior. Entre novembro de 2024 e julho de 2025, num universo estimado de 220 mil jovens, saíram cerca de 47 mil cheques e foram usados perto de 35 mil. A subida é real: mais 4797 vouchers emitidos, mais 5805 usados.
Menos livrarias, mais utilização
Houve duas mudanças nesta edição que ajudam a explicar a melhoria. O valor subiu de 20 para 30 euros, e passou a ser possível usar o cheque num livro mais barato do que isso — antes, não era. Quem quisesse um livro de bolso ficava a olhar para um voucher que não dava para gastar.
Ao mesmo tempo, a rede encolheu. Passou de 128 livrarias e 306 lojas para 95 livrarias e 299 lojas em todo o país. A lista completa, por distrito, está no portal do programa, e as regras de acesso — cartão de cidadão ou chave móvel digital, livros não escolares editados em Portugal, jovens estrangeiros residentes incluídos — estão na página oficial do IPDJ.
O prazo inicial era 30 de junho. Foi alargado até 31 de agosto quando faltavam poucos dias e havia 40 663 cheques emitidos, o que acrescentou quase 12 mil vouchers em dois meses. Lisboa, Maia, Vila Nova de Gaia, Porto e Braga foram os concelhos com maior adesão.
A DGLAB tem até 31 de outubro para entregar o relatório final. Só depois disso o ministério decide se há terceira edição — e a decisão vai apanhar em cheio a geração que este mês entra no ensino superior pela segunda fase e a que arranca o ano letivo 2026/2027.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto