As teleconsultas nos hospitais do SNS estão quase oito vezes acima do nível pré-pandemia
Somámos, mês a mês, o conjunto de dados de telemedicina do Portal da Transparência do SNS: 29.778 consultas em 2019, 354.254 no pico de 2021 e 237.470 em 2025. Até maio deste ano vão 133.681, mais 37 por cento do que no mesmo ponto de 2025.
Fomos ao Portal da Transparência do SNS, abrimos o conjunto de dados Consultas em Telemedicina e somámos o total de todas as instituições, mês a mês, desde 2013. A série é acumulada dentro de cada ano civil, por isso o valor de dezembro é o ano inteiro. Deu isto.
Em 2019, o último ano antes da pandemia, os hospitais e unidades locais de saúde do SNS registaram 29.778 consultas de telemedicina. Em 2021 registaram 354.254.
Depois veio a queda que toda a gente esperava. Foram 195.572 em 2022 e 181.357 em 2023, uma correção de quase metade em dois anos. E foi aí que a curva fez o contrário do previsto: 228.492 em 2024, 237.470 em 2025. Nunca voltou ao ponto de partida. O ano passado ficou 7,9 vezes acima de 2019.
Este ano está a correr ainda mais depressa
Até maio de 2026, o portal contabiliza 133.681 consultas de telemedicina nos hospitais. No mesmo ponto de 2025 eram 97.259. São mais 37 por cento, com sete meses do ano por fechar.
O que estes números não incluem
Convém ser claro sobre o perímetro. Este conjunto de dados cobre hospitais e unidades locais de saúde. Não conta as consultas não presenciais dos centros de saúde, que são a maior fatia do total e que, segundo os números divulgados esta semana, vão em cerca de 459 mil até julho. Juntando as duas metades, 2026 caminha para ultrapassar um milhão de teleconsultas em todo o SNS, um patamar que só o ano de 2021 tinha atingido.
Também não sabemos, a partir daqui, quantas destas consultas substituíram uma deslocação e quantas foram acrescentadas a um percurso que continuou presencial. O portal conta atos, não trajetos.
O que os dados mostram sem margem para dúvida é que a telemedicina hospitalar deixou de ser um regime de exceção. Entrou por uma emergência sanitária e ficou como prática corrente, num sistema que continua a gerir listas de espera e que já experimenta outras soluções de fundo, como o primeiro centro de saúde do SNS entregue a gestão privada. Para quem vive longe de um hospital central, a diferença entre uma consulta por vídeo e uma viagem de duas horas não é administrativa. Vale o mesmo que saber onde e quando se pode levar a vacina da gripe este outono.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · dados do Portal da Transparência do SNS