Portugal quer o dobro de armazenamento de energia até 2030. A consulta pública fecha em 20 dias
A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia aponta 6,9 GW instalados em 2030 e 9,76 GW em 2040. Abriu no sábado no Participa.pt e fica aberta a comentários durante 20 dias.
Guardar eletricidade é o problema aborrecido que decide se as renováveis servem para alguma coisa às sete da tarde. Portugal já produz sol e vento em quantidade; o que ainda não tem é onde os pôr até fazerem falta.
A Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia, a ENAE, é a tentativa de resolver isso com números em vez de intenções, e entrou em consulta pública no sábado, no portal Participa.pt, onde fica aberta a comentários durante 20 dias. Qualquer pessoa, empresa ou associação pode escrever lá.
Quanto armazenamento de energia vai Portugal ter em 2030 e 2040?
Para 2030, a estratégia aponta pelo menos 3 GW em baterias e 3,9 GW em bombagem hidroelétrica — no total, 6,9 GW instalados, praticamente o dobro da capacidade que existe hoje. Para 2040, sobe para 4,5 GW em baterias e 5,26 GW em bombagem, ou seja 9,76 GW.
Repare-se no que isso significa por tecnologia. Entre 2030 e 2040 as baterias sobem de 3 para 4,5 GW, mais 50%, enquanto a bombagem — a solução antiga e conhecida, bombear água para uma albufeira mais alta quando há eletricidade a sobrar e deixá-la cair quando falta — passa de 3,9 para 5,26 GW, cerca de 35%. É a bateria que cresce mais depressa, e é aí que está a mudança de fundo.
As quatro frentes
O plano de ação organiza-se em quatro áreas: valorização económica e participação nos serviços de sistema, enquadramento regulatório, simplificação da ligação à rede e inovação tecnológica. A terceira é a que os promotores mais referem — ligar um projeto à rede é, hoje, o passo lento.
O Governo já tinha anunciado em junho dois leilões para baterias em setembro, e a estratégia é o guarda-chuva onde essas peças encaixam. Vale a pena ler isto ao lado do mapa das zonas de aceleração de renováveis aprovado este mês: um diz onde se pode produzir, o outro diz onde se pode guardar.
Porque é que isto lhe diz respeito
Duas razões. A primeira é a fatura: quando não há onde guardar, o excedente desperdiça-se ou vende-se barato, e nas horas de ponta importa-se caro. A segunda é a procura nova que está a aparecer — os centros de dados que querem instalar-se no país consomem de forma contínua, e não apenas quando há sol.
Vinte dias é pouco tempo para um documento com metas a 2040. Mas é o tempo que há.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily, com dados da Estratégia Nacional de Armazenamento de Energia