Estas três carreiras fazem greve a 2 de outubro, e juntas são 351 mil pessoas
Três sindicatos da CGTP convocaram greve das carreiras gerais da Administração Pública (assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos superiores) e uma manifestação em Lisboa às 11h. Exigem negociação salarial já, sem esperar por 2027.
Quando se fala em greve na função pública, quase toda a gente pensa em professores ou em enfermeiros. A que foi marcada esta segunda-feira para 2 de outubro não é nem uma coisa nem outra, e é maior do que qualquer das duas.
A paralisação foi convocada em conjunto pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, pelo STAL e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, os três ligados à CGTP. Abrange as chamadas carreiras gerais da Administração Pública central, direta e indireta, local e regional. Há também uma manifestação marcada para Lisboa, no mesmo dia, às 11h.
Quem são as carreiras gerais que fazem greve a 2 de outubro?
São três, e o nome não diz nada a ninguém que não trabalhe lá dentro. Os últimos números oficiais do emprego público, referentes a 30 de junho, contam 170,8 mil assistentes operacionais, 92,2 mil assistentes técnicos e 88,4 mil técnicos superiores. Somados, 351 mil.
Traduzido para o dia a dia: os assistentes operacionais são as auxiliares que abrem as escolas de manhã, vigiam o recreio e servem o almoço, quem faz a recolha do lixo nos municípios, quem limpa e transporta doentes nos hospitais. Os assistentes técnicos estão aos balcões das câmaras, das conservatórias, das repartições de finanças, das secretarias escolares. Os técnicos superiores são os juristas, engenheiros e economistas que instruem os processos que depois demoram meses.
Repare-se em quem não está nesta conta. Os docentes são uma carreira à parte, com mais 143,3 mil pessoas. Médicos, enfermeiros, polícias e militares também têm carreiras próprias. Juntando carreiras gerais e docentes chega-se a 64,4% de todo o emprego público — ou seja, esta greve mexe com a maior fatia isolada da máquina do Estado sem tocar nas profissões que costumam dar manchete.
O que os sindicatos pedem
A reivindicação central é simples de enunciar e difícil de orçamentar: valorização imediata destas carreiras, reconhecimento das especificidades de cada profissão e abertura já da negociação salarial, sem empurrar a conversa para o próximo ano. O argumento dos sindicatos é que os assistentes operacionais são o grupo pior pago da Administração Pública, e que a distância para o salário mínimo nacional se foi estreitando até quase desaparecer.
Do lado do Governo, o calendário joga contra. A negociação salarial da função pública costuma correr no outono, ao mesmo tempo que se fecha o Orçamento do Estado, e é precisamente esse encaixe que os sindicatos querem antecipar.
Para quem depende dos serviços, o que interessa saber é que faltam quatro semanas e que ainda haverá serviços mínimos a definir. Escolas fechadas, recolha de lixo perturbada e atendimento municipal reduzido é o cenário que os próprios sindicatos anunciam. Ontem mesmo os politécnicos vieram lembrar que o Estado lhes deve 38 milhões em avaliações de desempenho por pagar, e há meses que carreiras específicas como a da reinserção prisional andam a exigir suplementos de risco. O outono na função pública começa carregado.
Por Marta Carneiro
Gráfico: Tugadaily, com dados da DGAEP (SIEP, 2.º trimestre de 2026)