Quando abre a vacinação da gripe este ano? A DGS ainda não publicou a norma que fixa a data
A norma da imunização de inverno dos bebés saiu a 2 de setembro e marca o arranque para 16 de setembro. Há um ano, neste mesmo dia, já tinham saído as normas da gripe e da covid-19. Esta quarta-feira a lista de normas da DGS continuava sem elas.
Uma parte da campanha de inverno já tem data. A Direção-Geral da Saúde assinou a 2 de setembro a norma da imunização sazonal contra o vírus sincicial respiratório em idade pediátrica, e nela fixa o arranque para 16 de setembro, com o período a estender-se até 31 de março de 2027. Há ainda uma campanha de repescagem entre 16 de setembro e 30 de outubro para as crianças que ficaram de fora à nascença. Este ano a estratégia passou a ser universal: são elegíveis todos os bebés saudáveis nascidos a partir de 1 de abril de 2026, que entram agora na sua primeira época de infeção.
Falta a outra parte. Fomos à lista de normas e circulares normativas da DGS esta quarta-feira e não há lá nenhuma norma de vacinação sazonal contra a gripe para o outono-inverno de 2026-2027, nem nenhuma para a covid-19. As mais recentes continuam a ser a 009/2025 e a 010/2025.
Repare nas datas dessas duas. Ambas são de 9 de setembro de 2025, exatamente um ano antes do dia em que fizemos esta consulta.
Porque é que a data importa
A norma não é burocracia. É o documento que diz quem tem direito à vacina de graça e a partir de que dia a pode ir buscar. No ano passado a campanha abriu a 23 de setembro, catorze dias depois de as normas saírem. Se esse intervalo se repetir, a data equivalente já passou.
Os grupos que costumam ter a gripe gratuita são conhecidos: pessoas com 60 ou mais anos, crianças dos 6 aos 23 meses, grávidas, residentes e profissionais de estruturas residenciais para idosos, doentes de risco e profissionais de saúde. Mas isso é a lista do ano passado, e é precisamente isso que a norma nova tem de confirmar ou alterar.
O dinheiro, esse, já está tratado há duas semanas. A portaria de 25 de agosto fixou em 3,15 euros o que o Estado paga a cada farmácia por vacina administrada, com um teto global de 7,6 milhões de euros. Ficou combinado quanto custa antes de estar combinado quem a leva.
Não há nada nisto que indique um problema. As normas podem sair esta semana e a campanha arrancar na data habitual do fim de setembro. Mas quem faz planos com o SNS — e o serviço tem mostrado que consegue mexer-se depressa quando quer, como nas teleconsultas hospitalares, hoje quase oito vezes acima do nível pré-pandemia — está a uma norma de distância de saber quando pode marcar o braço.
Por Marta Carneiro
Imagem: Whispyhistory / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)