Likud fica em primeiro em Israel, mas nenhum bloco chega aos 61 deputados
As sondagens à boca das urnas e a contagem em curso dão ao Likud de Netanyahu entre 24 e 28 lugares no Knesset de 120, à frente do Yashar de Gadi Eisenkot. O bloco de Netanyahu fica entre 50 e 57. A participação foi de 77,7%, e os resultados finais só são esperados na quinta-feira.
Israel votou na terça-feira e acordou esta quarta sem vencedor claro. O Likud de Benjamin Netanyahu volta a ser o partido mais votado, mas nem o bloco do primeiro-ministro nem a oposição chegam aos 61 deputados que dão maioria no Knesset de 120 lugares.
As sondagens à boca das urnas dos canais 11, 12 e 13 deram ao Likud entre 24 e 25 lugares na noite eleitoral. Com a contagem a avançar durante a madrugada, as projeções atualizadas subiram-no para 27 ou 28. Logo atrás está o Yashar, o partido do antigo chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, com cerca de 21 a 23.
Dois blocos, nenhuma maioria
Na primeira leitura da noite, a oposição liderada por partidos judaicos aparecia à frente, com 52 ou 53 lugares contra 50 do bloco de Netanyahu. Ao longo da madrugada a balança inverteu-se: as atualizações de quarta de manhã colocam o bloco de Netanyahu entre 53 e 57 e a oposição perto de 47.
Os partidos árabes, que não pertencem a nenhum dos dois campos, somam entre 16 e 19 lugares. É esse número que torna a aritmética tão difícil. Sem eles, ninguém chega lá.
Três listas ficaram, segundo as projeções, abaixo da barreira de 3,25%: People of Israel, os Reservistas e o partido Charedi Public.
Uma participação que não se via há décadas
A Comissão Central de Eleições registou 77,7% de participação ao fecho das urnas, às 22h00 locais, mais 7,1 pontos do que em 2022. Às 20h00 já tinham votado 5,45 milhões dos 7,33 milhões de eleitores inscritos.
Falta contar mais de 650 mil votos em duplo envelope (soldados, diplomatas e outros eleitores fora da sua secção), que costumam mexer nos últimos lugares. A comissão estima publicar os resultados finais na quinta-feira, 29 de outubro, ao meio-dia de Israel, e tem por lei até 4 de novembro.
E agora?
Depois do resultado oficial, o presidente Isaac Herzog ouve os partidos e entrega a um deputado a tarefa de formar governo. Foi o que fez com Netanyahu em novembro de 2022. Desta vez, com as projeções a oscilar vários lugares de hora para hora, o nome não está decidido.
É a segunda grande votação a mexer com a política internacional numa semana, depois de a Lista dos Estudantes ter conquistado a maioria na Sérvia. Quem conta os votos, e como, está explicado pelo Israel Democracy Institute no seu guia sobre a Comissão Central de Eleições.
Imagem: Kobi Gideon / GPO, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)