Lista dos Estudantes conquista maioria absoluta na Sérvia e afasta o partido de Vučić
Com 52,6% dos votos segundo a comissão eleitoral (RIK), o movimento nascido dos protestos pela queda da pala de Novi Sad deve ficar com 140 dos 250 deputados. A lista do SNS ficou nos 39,2%. Participação de 68,8%.
A Sérvia tem uma nova maioria. A Lista dos Estudantes venceu as legislativas antecipadas de domingo, 25 de outubro, com maioria absoluta, e Aleksandar Vučić reconheceu a derrota.
Os resultados da Comissão Eleitoral da República davam à Lista dos Estudantes 52,65% dos votos, com 8.135 das 8.392 secções contadas. A Ujedinjena Srbija (Sérvia Unida), a lista do Partido Progressista Sérvio de Vučić, ficou nos 39,2%. A participação chegou aos 68,8%, a mais alta em mais de 30 anos.
As contas no parlamento
A projeção dá 140 dos 250 lugares à Lista dos Estudantes. A maioria faz-se com 126, por isso não vai precisar de parceiros de coligação. A Sérvia Unida fica com 103 deputados e os restantes sete repartem-se por listas de minorias: três para a Aliança dos Húngaros da Voivodina, dois para a coligação albanesa e um para cada uma de duas listas do Sandžak.
O movimento nasceu nas ruas. Começou depois de a pala de betão da estação ferroviária de Novi Sad ter caído em novembro de 2024, matando 16 pessoas, e manteve quase dois anos de protestos que encheram cidades de norte a sul do país.
O que vem agora
A lista ainda não indicou um primeiro-ministro. O nome mais falado é o de Ilija Srdanović, cardiologista e professor da Faculdade de Medicina de Novi Sad, que encabeçou a candidatura.
Os prazos são os da Constituição. O novo parlamento tem de tomar posse até 30 dias depois dos resultados finais e o governo tem de estar formado nos 90 dias seguintes.
Há ainda uma segunda eleição pela frente. Vučić demitiu-se da presidência a 27 de setembro, quando convocou estas legislativas, e Ana Brnabić, presidente do parlamento, ocupa o cargo interinamente. A eleição presidencial extraordinária tem de ser marcada até 27 de dezembro.
Foi uma semana de urnas cheias pelo mundo, depois de Lula ter sido reeleito no Brasil no mesmo domingo.
Imagem: Dejan Krsmanovic / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)