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O juiz Jesse M. Furman sentado atrás de uma placa com o seu nome, numa audição do Comité Judicial do Senado dos EUA
Política 26 de outubro de 2026

Maurene Comey foi despedida ilegalmente, decide juiz. O Departamento de Justiça vai recorrer

O juiz federal Jesse Furman, de Nova Iorque, concluiu que o despedimento da procuradora Maurene Comey, em julho de 2025, violou a lei da função pública dos EUA e a separação de poderes. Ordenou a reintegração retroativa e o pagamento dos salários em falta. O Departamento de Justiça discorda e vai recorrer.

Um juiz federal de Nova Iorque decidiu esta segunda-feira que o Departamento de Justiça dos EUA despediu ilegalmente a procuradora Maurene Comey. Jesse Furman, do tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque, ordenou que fosse reintegrada com efeitos retroativos e que recebesse os salários que deixou de receber.

O Departamento de Justiça já reagiu: discorda da decisão e vai recorrer.

O que o juiz decidiu

Numa decisão de 55 páginas, Furman concluiu que o despedimento violou a lei da função pública americana de 1978 (a Civil Service Reform Act) e a separação de poderes. O governo defendia que o Artigo II da Constituição dá ao presidente um poder ilimitado para afastar procuradores. O juiz rejeitou essa leitura e chamou-lhe uma teoria do poder executivo “abrangente e sem precedentes”.

Pelo caminho caiu também o argumento de que o caso devia ir para o organismo que julga litígios laborais da função pública. Como a carta de despedimento invocava apenas o Artigo II, e não uma lei laboral, o tribunal considerou-se competente.

Os salários em atraso contam desde o despedimento, em julho de 2025, até 20 de dezembro, quando Comey aceitou outro emprego. Os advogados dela falaram numa vitória para todos os funcionários públicos. O processo, Comey v. Department of Justice, está registado com o número 1:25-cv-07625 no tribunal do Distrito Sul de Nova Iorque.

Quem é Maurene Comey

Era procuradora federal em Manhattan desde 2015 e trabalhou em alguns dos casos mais mediáticos dos últimos anos, de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell a Sean “Diddy” Combs e ao antigo senador Robert Menendez. Nos documentos do processo, o próprio governo admitiu que as suas avaliações de desempenho entre 2019 e 2024 foram “excelentes”.

Foi afastada por um memorando de Washington, com efeito imediato e sem motivo indicado. No processo, alegou que a razão provável foi ser filha de James Comey, o antigo diretor do FBI.

Um caso que vai subir

O governo apoiava-se numa decisão do Supremo Tribunal de junho que permitiu ao presidente despedir à vontade membros de algumas agências independentes. Furman entendeu que isso não se estende a procuradores de carreira, e é essa fronteira que o recurso vai testar. Não é a primeira vez que a administração Trump perde um braço de ferro destes em tribunal, como já tinha acontecido com a cidadania por nascimento.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: U.S. Senate Judiciary Committee / Wikimedia Commons (domínio público)

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Reunião da Comissão Política Nacional do PS na sede do partido em Lisboa, com o painel 'Avançamos todos' ao fundo
Política 24 de outubro de 2026

Com o PS a abster-se, o Orçamento de 2027 passa mesmo que todos os outros votem contra

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Urna eletrónica brasileira modelo UE2020, com o teclado numérico e as teclas Branco, Corrige e Confirma
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Em Portugal, Lula ganhou a primeira volta por quase 14 pontos. No Brasil, ficou em segundo

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Fachada de uma farmácia em Lisboa, com azulejos tradicionais e a palavra Farmácia nas montras
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Faltam 20 dias para a farmácia aplicar a nova regra do medicamento grátis

O decreto que muda a forma de calcular a gratuitidade dos medicamentos para os idosos do complemento solidário entra em vigor a 17 de outubro, e traz uma garantia para quem a farmácia não avisar da alternativa mais barata.

O relógio começou a contar a 18 de agosto. O decreto-lei n.º 169/2026 diz no seu último artigo que entra em vigor 60 dias depois de publicado, o que aterra a 17 de outubro. A partir dessa data, é essa a régua que a farmácia passa a usar ao balcão. Faltam 20 dias. A mudança em si já a explicámos: quem recebe o complemento solidário para idosos continua a levar os medicamentos sem pagar nada, mas o Estado deixa de cobrir 100% do preço da embalagem escolhida…

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Luís Montenegro caminha ao lado do primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, junto às bandeiras de Portugal e do Japão, numa receção oficial em Tóquio
Política 25 de setembro de 2026

Montenegro pede o fim do "masoquismo coletivo" da energia, na ONU

No discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro criticou o mecanismo de formação do preço do petróleo, defendeu a solução de dois Estados no Médio Oriente e reafirmou o apoio de Portugal à Ucrânia.

Luís Montenegro subiu ao pódio da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e escolheu começar por algo que toca a carteira de qualquer português: o preço dos combustíveis. Chamou-lhe uma "crise sem sentido" e pediu para acabar com "este masoquismo coletivo", numa referência direta ao mecanismo que fixa o preço do petróleo a nível global, segundo o relato da ONU Portugal.

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Gráfico de barras Tugadaily com os diplomas da calamidade da tempestade Kristin publicados por mês em 2026: 1 em janeiro, 23 em fevereiro, 3 em março, abril, maio e junho, nenhum em julho e agosto, 1 em setembro
Política 22 de setembro de 2026

A resposta legal à tempestade Kristin já vai em 37 diplomas. O 37.º saiu esta terça-feira

Contámos a lista de legislação da calamidade que o próprio Governo mantém em gov.pt: 37 diplomas desde 30 de janeiro, 24 deles nas primeiras quatro semanas, nenhum em julho e agosto. O mais recente, publicado a 22 de setembro, mexe nas horas extraordinárias de quem respondeu à tempestade.

A tempestade Kristin passou por Portugal na última semana de janeiro. A situação de calamidade durou dezanove dias. A legislação continua a sair. Esta terça-feira foi publicado em Diário da República o Decreto-Lei n.º 191/2026, e quisemos saber que número é aquele na fila. Fomos contar. O Governo mantém em gov.pt um guia com toda a legislação da situação de calamidade, atualizado à medida que os diplomas saem; somámos as entradas dessa lista, uma a uma,…

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Gráfico de barras com a componente fixa do suplemento de risco da PSP e da GNR: 100 euros em 2023, 300 em 2024, 350 em 2025 e 400 em 2026
Política 19 de setembro de 2026

O suplemento de risco passou de 100 para 400 euros. O das fronteiras vale 160

O Governo propôs a 17 de setembro um suplemento de 160 euros este ano, com retroativos a julho, e 230 em 2027, mas só para a UNEF da PSP e a UCCF da GNR. Seis dos sete sindicatos presentes aceitaram negociar. Dois continuam com protestos marcados, por causa do acordo de 2024.

Quando se lê que o Governo propôs mais 160 euros por mês aos polícias, convém ler a linha seguinte. O suplemento apresentado a 17 de setembro na mesa negocial não é para a PSP nem para a GNR inteiras. É para duas unidades: a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, da PSP, e a Unidade de Controlo Costeiro e das Fronteiras, da GNR. São 160 euros mensais em 2026, com retroativos a julho, e 230 euros em 2027. O Ministério da Administração Interna…

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Gráfico de barras com a descida das taxas de IRS por escalão: 0,3 pontos no primeiro, 0,5 do segundo ao quinto, 0,3 no sexto e zero do sétimo ao nono
Política 18 de setembro de 2026

O Governo aprovou a descida do IRS. Quem a tem de votar é o Parlamento

As taxas descem entre 0,3 e 0,5 pontos até ao sexto escalão, o alívio ronda os 400 milhões de euros e abrange mais de 2,9 milhões de agregados. O efeito prometido para o salário de novembro depende de uma proposta de lei que ainda não foi votada na Assembleia da República.

O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma proposta de lei que baixa as taxas do IRS do primeiro ao sexto escalão. A redução fica entre 0,3 e 0,5 pontos percentuais, vale cerca de 400 milhões de euros e, de acordo com o comunicado do Executivo, abrange quase três milhões de agregados familiares. A palavra que decide o resto é proposta. As taxas do IRS não se mudam em Conselho de Ministros. Mudam-se por lei votada na Assembleia da República, e é…

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Linhas de muito alta tensão e postes da rede de transporte da REN ao fim da tarde, com o céu alaranjado
Política 17 de setembro de 2026

O Estado já tem 13,7% da REN. Agora discute-se quem escreve as regras da próxima compra

A Parpública comunicou à CMVM uma participação qualificada de 91.723.676 ações, concretizada a 7 de setembro depois do visto do Tribunal de Contas. O PS quer que a entrada do Estado no capital de empresas privadas passe a ter critérios definidos por lei.

A operação está fechada. A REN comunicou ao mercado que a Parpública detém uma participação qualificada de 91.723.676 ações ordinárias, representativas de 13,7% do capital, o que devolve o Estado ao capital da empresa doze anos depois de ter saído. A transmissão das ações e o pagamento do preço ocorreram a 7 de setembro. Quando escrevemos sobre este negócio em agosto, o que estava por resolver era processual: o contrato com a Pontegadea tinha sido…

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Gráfico de barras com os prazos máximos do decreto brasileiro da reciprocidade: Camex 60 dias, Gecex 60, consulta pública 30 e Conselho Estratégico 120
Política 16 de setembro de 2026

A resposta do Brasil às tarifas americanas pode levar 270 dias

O processo da Lei da Reciprocidade abriu a 13 de agosto. Somando os prazos máximos que o próprio decreto fixa para cada fase, Brasília pode ir até meados de maio de 2027 antes de decidir se retalia.

Passou um mês desde que o Brasil abriu o primeiro processo da sua vida ao abrigo da Lei da Reciprocidade, e não há contramedida nenhuma. Não é inércia. É o que o regulamento manda. Fomos ler o decreto e somar. O texto que regulamenta a lei é o Decreto 12.551, de 14 de julho de 2025, e é nos artigos 11.º, 13.º e 15.º que estão os prazos. São quatro fases com relógio próprio, e cada uma é mais lenta do que parece à primeira leitura.

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Gráfico de barras com três prazos em dias a partir de 15 de setembro: debate do PS 3, debate do Chega 9, IVA do Chega 108
Política 15 de setembro de 2026

Quem chega primeiro ao custo de vida? O PS marcou debate para sexta-feira, seis dias antes do Chega

O pedido de debate de urgência deu entrada na segunda-feira de manhã no gabinete do presidente da Assembleia da República. O Chega já tinha agendamento para 24 de setembro, com projetos de IVA que só produzem efeitos em janeiro de 2027.

A nova sessão legislativa abre esta quarta-feira e o primeiro combate já está marcado. O PS pediu na segunda-feira de manhã o agendamento de um debate de urgência sobre o aumento do custo de vida, a realizar já na sexta-feira, e com isso passou à frente do Chega, que tinha a discussão do tema marcada para 24 de setembro. São seis dias de diferença. Numa legislatura em que a oposição disputa quem parece mais impaciente, seis dias valem alguma coisa.…

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Gráfico de barras Tugadaily: dos 507 ministros portugueses desde 1976, 43,4% com experiência forte na pasta, 34% com alguma e 22% sem nenhuma relevante
Política 14 de setembro de 2026

Dos 507 ministros desde 1976, 113 chegaram ao Governo sem experiência na pasta

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos percorre meio século de governos. A conclusão que interessa não é a falta de currículo: é que os ministros ficaram mais especializados sem que os partidos largassem o controlo.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos divulgou esta segunda-feira o estudo "Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada (1976-2025)", coordenado por Marcelo Camerlo e António Costa Pinto, que percorre os 507 ministros nomeados em meio século de democracia e compara Portugal com Espanha, Itália e Grécia. O número que saltou logo para os títulos foi este: 113 ministros, 22% do total, assumiram uma pasta sem qualquer experiência…

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Magdalena Andersson, líder dos sociais-democratas suecos, a falar a jornalistas
Política 14 de setembro de 2026

Os sociais-democratas ganharam as legislativas na Suécia. A contagem final só termina esta semana

O partido de Magdalena Andersson foi o mais votado, com 28,4%, e as projeções da noite eleitoral dão maioria ao bloco de esquerda. Os votos definitivos, esses, só ficam fechados daqui a uns dias.

Os suecos foram às urnas no domingo e o partido que dominou a política sueca durante décadas voltou a ser o mais votado. Os sociais-democratas de Magdalena Andersson ficaram com 28,4% dos votos, à frente de toda a gente, e as projeções da noite eleitoral dão ao conjunto dos partidos de esquerda uma maioria no Riksdag — 183 dos 349 lugares, contra 51,3% dos votos para a esquerda e 46,8% para a direita. Só que "as projeções da noite eleitoral" é mesmo a…

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