A AfD venceu na Saxónia-Anhalt com 43,8% e ficou a três lugares da maioria
A afluência final foi de 77,8%. A AfD elegeu 39 dos 83 deputados do Landtag, três abaixo do que precisa para governar sozinha. O CDU teve 17,2% e a Die Linke 8,6%. O resultado oficial só é proclamado a 22 de setembro.
A AfD teve o melhor resultado da sua história num estado alemão e mesmo assim não chegou lá. O responsável eleitoral da Saxónia-Anhalt deu ao partido 43,8% dos votos no domingo, o que se traduz em 39 dos 83 lugares do Landtag. A maioria absoluta são 42.
Faltaram três. É um número pequeno o suficiente para caber numa frase e grande o suficiente para decidir quem governa o estado nos próximos cinco anos.
A participação foi de 77,8%, e o sinal já estava lá de manhã: ao meio-dia tinham votado 34,72% dos eleitores, contra 22,4% à mesma hora em 2021. O CDU, que liderava o governo estadual, caiu para 17,2%. A Die Linke ficou nos 8,6%, com oito deputados. O apuramento de domingo é provisório — o resultado oficial dos segundos votos só é proclamado a 22 de setembro.
Porque é que três lugares mudam tudo
A AfD nunca chefiou um governo estadual na Alemanha, e apresentou-se aqui com Ulrich Siegmund como cabeça de lista. A associação regional do partido está classificada desde 2023 pelo serviço estadual de proteção da Constituição como comprovadamente extremista de direita. Os restantes partidos com assento no Landtag têm mantido publicamente a recusa de acordos de coligação.
Se essa recusa se aguentar, o domingo foi as duas coisas ao mesmo tempo: o melhor resultado de sempre do partido no estado e insuficiente para lhe dar o governo. Com 39 mandatos, a AfD tem a maior bancada e o poder de bloquear — não tem os votos para eleger um chefe de governo.
A aritmética que decide, aqui e em Lisboa
Quarenta e três vírgula oito por cento não é uma maioria, e essa é a única frase que interessa reter. Em sistemas proporcionais, quem chega à frente e quem consegue somar são perguntas diferentes, e é a segunda que forma governos.
É a mesma aritmética que em Portugal faz com que uma moção de censura precise de 116 votos para derrubar um Governo: o que decide não é quem chega à frente, é quem consegue somar.
Vale a pena ver isto de longe. Uma eleição estadual alemã não muda o governo federal, mas muda a composição do Bundesrat, a câmara onde os estados votam legislação que se aplica ao país todo. E aquilo que a Saxónia-Anhalt decidiu no domingo vai ser lido em Berlim como um ensaio para o que vem a seguir.
Imagem: Gregor Rom / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)