O BPI lucrou 239 milhões no semestre, menos 13%, e a explicação está na letra pequena
O Banco BPI fechou o primeiro semestre de 2026 com 239 milhões de euros de lucro, uma queda de 13%. O crédito cresceu 8% — a descida vem de efeitos não recorrentes.
O BPI ganhou 239 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026. É menos 13% do que no ano passado, o que soa mal até se ir ver de onde vem a diferença — e a diferença não vem do negócio.
São 35 milhões de euros a menos, e há dois efeitos pontuais que explicam quase tudo. No primeiro semestre de 2025, o banco tinha registado um ganho de 18 milhões com a reversão de contribuições do adicional de solidariedade sobre o sector bancário pagas em anos anteriores. Neste, uma reclassificação contabilística da participação no BCI pesou 35 milhões negativos. Some-se as duas coisas e a queda deixa de ser um mistério.
O negócio do BPI está a encolher?
Não, está a crescer. O crédito total subiu 8%, para 35,1 mil milhões de euros, e os recursos de clientes também avançaram 8%, para 45,3 mil milhões. A carteira de crédito à habitação chegou aos 18 mil milhões, o que diz bastante sobre onde está a ir o dinheiro das famílias portuguesas neste momento — e encaixa num mercado onde cada anúncio de arrendamento recebe 24 contactos e comprar continua a parecer, a muita gente, a saída menos má.
A rendibilidade dos capitais próprios ficou nos 14,8%, um número que a banca portuguesa não via com esta naturalidade há bastantes anos.
Quanto é que veio da actividade em Portugal?
Dos 239 milhões, 221 milhões saíram da operação portuguesa — uma descida de 8% face a há um ano. O resto vem das participações internacionais, precisamente a parcela onde a tal reclassificação do BCI fez estragos contabilísticos.
A leitura honesta é esta: margem financeira sob pressão num mercado que a própria administração descreve como muito competitivo, com o negócio de base ainda a crescer por baixo. Os indicadores agregados do sector vão sendo publicados pelo Banco de Portugal, e é aí que se vê se este aperto de margens é do BPI ou de toda a gente.
Para quem tem conta, a tradução prática é simples: bancos com margens mais apertadas costumam competir com taxas. Vale a pena andar a comparar.
Por Beatriz Mota
Imagem: Shatabisha / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)