A economia portuguesa terá voltado a crescer no segundo trimestre, depois de um arranque de ano parado
O barómetro CIP/ISEG aponta para um crescimento de 0,4% em cadeia no segundo trimestre de 2026, cerca de 2% em termos homólogos, com a confiança empresarial a melhorar.
A economia portuguesa deverá ter crescido 0,4% no segundo trimestre face aos três meses anteriores, cerca de 2% em termos homólogos. É a estimativa do barómetro conjunto da CIP e do ISEG, divulgada esta semana, e chega antes do número oficial do INE — mas dá o tom.
Quanto cresceu a economia portuguesa no segundo trimestre?
Falamos de 0,4% em cadeia, o que soa modesto até se lembrar de onde vem. O primeiro trimestre do ano ficou em zero — crescimento nenhum de janeiro a março, apesar de uma variação homóloga de 2,3% que era em boa parte herança do ano anterior. Voltar a mexer no segundo trimestre é, portanto, a diferença entre uma pausa e uma travagem.
Porque é que o primeiro trimestre ficou parado?
Pelo mesmo motivo que quase toda a Europa levou um safanão: o choque energético. Preços mais altos comem margem às empresas e poder de compra às famílias, e a procura interna sente-o primeiro. O que o barómetro sinaliza agora é que a componente externa ajudou a compensar parte desse abrandamento — exportações e turismo a puxar enquanto o consumo doméstico ainda arrasta o pé.
Há um segundo sinal a acompanhar este: a confiança empresarial melhorou no segundo trimestre de forma quase transversal aos setores. Confiança não é encomenda nem contratação, mas costuma vir antes das duas. E o mercado de trabalho tem aguentado, com o desemprego a andar perto dos 5,5% e sem os sobressaltos que se temiam no início do ano.
Isto encaixa numa história que já vínhamos a contar: Portugal tem crescido acima da média da zona euro sem que isso se traduza em euforia. Cresce-se um bocadinho mais depressa do que os vizinhos, a partir de uma base mais baixa, e com uma dependência do exterior que faz com que qualquer solavanco lá fora se sinta cá dentro numa questão de semanas.
O número oficial do produto interno bruto do segundo trimestre sai do INE e é esse que conta para os manuais. Até lá, a leitura razoável é esta: a economia não parou, mas também não está a acelerar. Está a andar.
Por Beatriz Mota
Imagem: Geerd-Olaf Freyer from Aachen, Deutschland / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)